Inditex surpreende e aposta na Ásia

A Inditex revelou, na semana passada, os resultados do terceiro trimestre do ano. Além de uma queda do lucro líquido muito menor do que o esperado (apenas 1%) a empresa reforçou o seu compromisso de crescimento para os próximos anos. Pela voz do seu CEO, Pablo Isla, o grupo dono da Zara revelou que, na sua estratégia de crescimento, o continente asiático é a peça principal. Metade das novas aberturas a realizar nos próximos anos estarão aí localizadas, principalmente no mercado chinês. Apesar da focalização da empresa no crescimento da sua presença na China, o outro gigante asiático não escapa à continua ambição do “case study” da Corunha. Em 2010, a Inditex abrirá a sua primeira loja na índia. Abertura essa que será seguida por mais quatro ao longo do próximo ano. As lojas indianas estarão, numa primeira fase, concentradas nas cidades de Nova Deli e de Bombaim. O lucro líquido do maior retalhista de moda europeu situou-se, durante os 9 primeiros meses do ano, nos 831 milhões de euros. Uma queda de 12 milhões de euros face a igual período do ano anterior, justificada parcialmente pelo aumento dos custos financeiros relacionados com a expansão internacional. As receitas subiram 6%, para os 7.760 milhões de euros, enquanto que os custos operacionais subiram 7,2%, para os 2.870 milhões de euros. Os analistas esperavam lucros líquidos a rondar os 800 milhões de euros. Apesar de ter refreado, devido à situação económica mundial, o seu alucinante ritmo de expansão durante 2009, a Inditex conseguiu abrir 266 novas lojas nos 3 primeiros trimestres do ano fiscal, sendo que 90 das novas lojas foram na ásia. «Estas aberturas reflectem a importância estratégica que o mercado asiático representa para o grupo e reforçam o crescimento robusto que obtivemos ao longo do ano na China, Coreia do Sul e Japão», afirmou Isla, acrescentando que a empresa conta agora com 60 lojas na China e 50 no Japão. A Inditex detém actualmente 4.530 lojas em 73 países, tendo decidido há 3 anos atrás reforçar o seu crescimento de longo prazo nos mercados asiáticos e em outros mercados emergentes. Com esta estratégia, a empresa galega espera tornar-se em 2010 a maior retalhista de moda mundial em termos de receitas. Para isso terá que ultrapassar a americana Gap, que continua a ocupar a primeira posição. Durante o corrente ano, a Inditex esteve nessa posição por algumas semanas devido ao valor do dólar e a um início de ano com maus resultados por parte do seu rival.