Inditex resiste à crise

O maior retalhista europeu de moda surpreendeu positivamente o mercado esta semana, ao anunciar que as suas vendas continuam a apresentar um ritmo de crescimento superior à concorrência, apesar da queda de 15% nos resultados líquidos registada no primeiro trimestre. A Inditex continua a ganhar quota de mercado globalmente», afirmou Pablo Isla, CEO do grupo espanhol. As vendas da empresa, a taxas de câmbio constantes, cresceram 9% no período compreendido entre 1 de Maio e7 de Junho, após terem registado um crescimento de 8% no primeiro trimestre de 2009, para os 2.300 milhões de euros. Estes resultados estão um pouco acima dos registados no primeiro trimestre, o que nos dá garantias que a situação não está a piorar, podendo mesmo ser considerados como uma boa notícia», explica Anne Critchlow, analista da Societé Generale. No seu mercado doméstico, onde a Inditex efectua cerca de um terço das vendas, o volume de negócios sofreu uma contracção de 7,5%. Este valor, a 17ª queda consecutiva mensal, denota bem o nível da recessão económica registada em Espanha. Isla recusou-se a comentar a performance da empresa no mercado espanhol, revelando todavia que será divulgada uma análise dos vários mercados da empresa em Setembro. A proprietária da cadeia Zara apresenta, contudo, bons resultados quando comparada com os seus competidores directos, apesar da recessão mundial e do “apertar dos cintos” dos consumidores. Estes bons resultados resultam da estratégia da empresa, que se focaliza na oferta de colecções de moda actual a preços imbatíveis. A H&M e a Gap, os dois principais rivais da Inditex, reportaram quedas similares nos seus resultados líquidos do primeiro trimestre. Em Maio, a H&M anunciou que as vendas comparáveis de Abril tinham crescido 8%. A primeira subida desde Julho de 2008. A americana Gap por sua vez, anunciou que as vendas comparáveis tinham caído 12% durante o primeiro trimestre. A Inditex não fornece dados sobre vendas comparáveis – que excluem as receitas provenientes do seu agressivo plano de expansão – mas, segundo os analistas, estas devem ter sofrido um decréscimo situado entre 1 e 4%. Segundo Isla, a cadência programada de aberturas, particularmente para os mercados emergentes na Europa e na ásia, vai prosseguir-se de acordo com os planos da empresa. A Inditex prevê inaugurar 370 a 450 lojas no corrente ano fiscal, contra as 573 aberturas realizadas no ano transacto. No primeiro semestre, a empresa espanhola abriu 95 novas lojas em 28 países, elevando o número para um total de 4.359 lojas distribuídas por 73 países. Continua no nossos planos a expansão da Zara na Coreia do Sul», afirmou o CEO da Inditex após a abertura da primeira loja da insígnia neste país asiático durante o primeiro trimestre. Paralelamente, a empresa espanhola pretende continuar a sua expansão no mercado americano, para além da Costa Este, Los Angeles, São Francisco e Florida. Três pontos de venda Zara abriram já na 5ª avenida, em Nova Iorque. Esta insígnia da Inditex efectuou também a sua estreia no Egipto, precisamente no Cairo, depois das estreias, no início do corrente ano, da Bershka, Pull & Bear e Massimo Dutti, outras das insígnias do grupo. O plano expansionista da Inditex no primeiro trimestre abarcou ainda a sua mais recente cadeia de moda, a Uterque, que se instalou em novos mercados como a Bélgica, o Kuwait e o Qatar.