Entre 1 de fevereiro e 30 de abril, a Inditex registou receitas de 8,7 mil milhões de euros, refletindo uma subida de 5,8% a taxas de câmbio correntes e 8,8% a taxas de câmbio constantes. Já o EBITDA cresceu 7,3%, atingindo 2,6 mil milhões de euros, enquanto o resultado líquido aumentou 5,4%, para 1,4 mil milhões de euros.
O grupo que detém a Zara destaca que as coleções primavera-verão foram «muito bem recebidas pelos nossos clientes», contribuindo para o crescimento da atividade em todas as áreas do negócio.
Durante o primeiro trimestre do ano, a Inditex prosseguiu o programa de otimização da rede comercial, realizando remodelações, relocalizações, aberturas e integrações de lojas em 44 mercados. No final de abril, o grupo operava 5.456 lojas em todo o mundo.
Para o segundo trimestre, os indicadores preliminares apontam para uma aceleração, uma vez que as vendas em lojas físicas e online cresceram 11,5% a taxas de câmbio constantes entre 1 de maio e 1 de junho de 2026.
De acordo com a Reuters, este desempenho superou a estimativa dos analistas, que antecipavam um crescimento de 8%. Andrés Sánchez, diretor financeiro da retalhista espanhola, ressalva, contudo, que o dado de maio diz respeito a um período de quatro semanas, mais curto do que as cinco semanas que o grupo habitualmente reporta.
Mercados internacionais
Relativamente ao conflito no Médio Oriente, Andrés Sánchez confirma que o grupo adaptou a sua cadeia de aprovisionamento para garantir o abastecimento contínuo de produtos às lojas a nível global, apesar das perturbações registadas no transporte aéreo e marítimo. «Existe um efeito de desfasamento entre o transporte de mercadorias e o impacto no custo das vendas, o que significa que o impacto dos custos de transporte e dos preços do combustível mais elevados no primeiro trimestre foi, até ao momento, limitado», explica. O diretor financeiro revela ainda que as vendas no Médio Oriente foram afetadas pelo conflito na região, embora sem divulgar números concretos sobre o impacto.
A Zara, principal insígnia do grupo, continua a conquistar terreno a nível global. Manjari Dhar, analista do banco RBC, refere que «a Zara continua claramente a ganhar quota de mercado e é claramente a que mais se destaca», dando como comparação as dificuldades da concorrente Primark. A analista indica ainda que o grupo espanhol beneficiou igualmente da sua maior exposição ao sul da Europa, onde as condições climatéricas foram mais favoráveis do que no norte do continente, onde a H&M tem maior presença.
Os EUA, segundo maior mercado da Inditex depois de Espanha, constituem uma aposta estratégica crescente. Gorka Garcia-Tapia Yturriaga, diretor de relações com investidores da Inditex, sublinha que o crescimento no país norte-americano assenta no aumento do volume de vendas e não em subidas de preços. «Continuamos a ver mais oportunidades de crescimento porque temos uma quota de mercado baixa [nos EUA]. O crescimento, nesse sentido, está nas nossas mãos e não depende realmente do desempenho do mercado em geral», explica.
Quanto às perspetivas para o conjunto do ano, a retalhista espanhola mantém o plano de expansão e modernização da rede comercial, prevendo um crescimento da área de venda bruta de cerca de 5%. A Inditex estima investir cerca de 2,3 mil milhões de euros, «principalmente dedicado à otimização do espaço comercial, à sua integração tecnológica e à melhoria das plataformas online».



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