Incerteza em 2010

A retalhista de vestuário e homewear Next ainda está a prever vendas comparáveis negativas na Primavera-Verão 2010, mesmo depois de ter aumentado as previsões para o segundo semestre, segundo o seu director-executivo. Simon Wolfson revelou estar preocupado com as perspectivas de um aumento dos impostos sobre o consumo em 2010, independentemente do partido que ganhar as eleições gerais que terão lugar em Junho. «é uma omissão deliberada que não tenhamos mudado as nossas previsões para a Primavera 2010», disse em entrevista à Reuters, após a Next ter registado vendas melhores do que as esperadas no terceiro trimestre. «Ninguém sabe muito bem que efeito terá o aumento dos impostos no próximo ano Acho que há um espectro económico gigantesco a pairar sobre a economia. Enquanto houver um orçamento público reduzido e, por consequência, menos emprego na função pública, e o aumento dos impostos permanecer em cima da mesa, creio que ninguém deve ficar muito entusiasmado com a Primavera-Verão 2010», declarou. Wolfson considera que extrapolar o resultado do terceiro trimestre da Next para o próximo ano seria um erro: «não iremos necessariamente ver a performance do terceiro trimestre reflectida no início do próximo ano». O director-executivo explicou que o terceiro trimestre deste ano está em alta em comparação com números muito fracos do mesmo período do ano passado, quando a publicidade à volta da crise do crédito e a falência do Lehman Brothers atingiu o seu pico. «Estamos em alta em comparação com uma bolha de medo do ano passado», explicou. O CEO afirmou, no entanto, estar um pouco mais optimista com a perspectiva económica geral para o Reino Unido do que quando a Next apresentou os resultados em Setembro. «O que podemos dizer com alguma certeza é que o consumidor não está em queda livre e estamos a ver estabilidade, embora ainda não segura, no consumo», referiu. Sublinhou ainda que a Next registou uma redução anual no número de consumidores que ficam em dívida nas suas contas do Next Directory: «isso reflecte um aumento de estabilidade nas finanças do consumidor. Por isso sinto que o consumidor está em melhor forma do que estava nesta altura do ano passado», concluiu.