Importações de fio de algodão na U.E.

As importações de fio de algodão da União Europeia (UE) registaram uma evolução positiva ao longo do primeiro trimestre de 2006, evidenciando uma tendência no sentido do aumento das importações após a quebra registada no volume importado durante 2005, conforme relata o Emerging Textiles. Em termos internos, a indústria de fiação da UE registou um novo declínio, evidenciando a necessidade de subcontratar a produção de fio no exterior do mercado comunitário. No entanto, esta tendência pode também encontrar-se relacionada com uma melhoria na produção da indústria de malhas da Europa, em resultado das restrições quantitativas aplicadas sobre as importações com origem na China. Portugal é o segundo principal mercado após a Itália A Itália é o principal mercado entre os 25 Estados-membros para os fios de algodão, quer em 2005 quer ao longo do primeiro trimestre de 2006, sendo responsável por uma quota de 34,65% do volume total das importações comunitárias registadas durante o primeiro trimestre do ano. Estes dados revelam também que a Itália foi o principal utilizador de fios de algodão, na medida em que continua a existir uma forte indústria de malhas no país. Durante o primeiro trimestre do ano, foram também registados aumentos significativos nas importações de outros países comunitários, como é o caso de Portugal (com uma quota de 19,16% em volume e 15,64% em valor), Bélgica (com uma quota de 8,50% em volume e 6,85% em valor), Polónia (com uma quota de 4,94% em volume e 3,66% em valor) e Grécia (com uma quota de 4,60% em volume e 4,25% em valor). Entre os 25 Estados-membros, Portugal foi o segundo principal importador de fios de algodão durante o primeiro trimestre do ano, em termos de volume e em termos de valor, registando uma subida nestes indicadores de 6,96% e 16,38%, respectivamente. Índia com desempenho positivo em termos qualitativos A Índia e a Turquia foram os dois principais fornecedores do mercado comunitário de fios de algodão, com a Índia a continuar a impressionar em termos de aumento do volume. Enquanto que o volume das importações com origem na Turquia registou uma quebra de 3,75% em 2005 e de 8,77% em Janeiro de 2006, o volume das importações da Índia registou uma subida de 30,99% e de 41,94% para os períodos em questão. A Índia adaptou-se com sucesso à produção de fios com melhor qualidade, ao mesmo tempo que investiu nas suas capacidades de fio fino com o objectivo de produzir maior volume. O país está neste momento a ir ao encontro dos seus potenciais, os quais foram significativamente limitados durante diversos anos pelas quotas da UE. Este é também o caso do Paquistão que, antes de 2005, foi constrangido pelas quotas e encontra-se actualmente na terceira posição entre os principais fornecedores da UE, atrás da Índia e da Turquia. Paquistão regista menor crescimento Mas o crescimento no volume das importações com origem no Paquistão, que aumentaram 19,9% durante o primeiro trimestre em relação aos valores do ano anterior, não registou uma subida tão significativa quanto a registada pela Índia. Os produtores paquistaneses têm-se inclinado mais no sentido do mercado interno, fugindo das exportações, em sintonia com a política governamental de há alguns anos atrás. Esta política incentiva a exportação de produtos acabados em detrimento dos produtos intermédios, tendo por objectivo fomentar o valor dos produtos fornecidos pela indústria paquistanesa. Apesar desta orientação, o Paquistão tem experimentado mais sucesso noutros mercados, geralmente no Extremo Oriente, enquanto que a índia é menos competitiva nesta região. O Uzbequistão, quarto maior fornecedor de fio de algodão para a UE, tem procurado resistir durante 2005 e também no início de 2006 à quebra das suas importações, cujo volume registou quebras de 31,5% e 44,9% durante 2005 e em Janeiro de 2006, respectivamente. Europa procura qualidade A evolução do Uzbequistão deve-se em grande medida à preferência da UE por fios de maior qualidade, descriminando os fios de menor valor. Os fios da Síria (6.ª posição), posicionados na gama baixa do mercado, também enfrentaram dificuldades em 2005 apesar de uma ligeira subida de 3,63% no início de 2006. Confirmando o desejo dos europeus por melhor qualidade, no início do ano as importações de fios do Egipto (5.ª posição), produzidos geralmente a partir de algodão de fibra longa com origem em Giza, registaram um aumento de 30% relativamente ao mês de Janeiro de 2005. Ao longo dos últimos anos o volume de fios importados aumentou gradualmente em oposição aos fios produzidos ao nível doméstico, conforme demonstram os dados apresentados pelo Emerging Textiles. Preços aumentam Os dados também revelam uma tendência negativa nos preços ao longo dos últimos anos, os quais se encontram em média abaixo dos 3 euro por kg. No entanto, os valores unitários aumentaram no início de 2006, o que poderá confirmar a tendência pela procura de fios de qualidade superior. O valor médio registado em Janeiro de 2006 (2,72 euro por kg) ficou 7,49% acima do de Janeiro de 2005 e um pouco acima do preço médio de 2,68 euro por kg registado em média ao longo de 2005. A Suiça (11.ª posição), que produz fios para o extremo superior do mercado, ocupa de forma, como seria de esperar, a primeira posição com um preço médio de 6,42 euro por kg em Janeiro de 2006, evidenciando uma subida de 1,59 euro por kg, em relação ao preço médio registado em Janeiro do ano passado.