IA está a mudar o design têxtil

Ferramentas como o ChatGTP ou FabricGenie estão a mudar a abordagem ao design têxtil, incluindo na área dos têxteis-lar, e, embora tragam vantagens, representam também desafios que terão de ser ultrapassados rapidamente.

Danny Richman, Olaf Schmidt, Anja Bisgaard Gaede e Alexandra Bohn

As ferramentas de inteligência artificial são hoje difíceis de ignorar, não só na vida dos consumidores, mas também das empresas, onde estão a mudar inclusivamente os métodos e processos de trabalho.

Um painel na conferência de imprensa de abertura da Heimtextil, que integrou Anja Bisgaard Gaede, fundadora da agência de tendências e negócios SPOTT, Danny Richman, consultor de inteligência artificial e inventor da ferramenta de design FabricGenie, baseada em inteligência artificial, e Olaf Schmidt, vice-presidente de têxteis e tecnologias têxteis da Messe Frankfurt, debateu o potencial da inteligência artificial para o design de produtos têxteis e deixou pistas para o que poderá ser o futuro da indústria neste capítulo.

«A inteligência artificial está a redefinir profundamente a economia, os mercados e indústrias. Como especialistas em feiras, sabemos como ajudar nos esforços de transformação e reduzir os níveis de complexidade. Com a indústria global de têxteis-lar na Heimtextil em Frankfurt, agora é o momento ideal para destacar o potencial da inteligência artificial», afirmou Olaf Schmidt, sublinhando que «as possibilidades da inteligência artificial são verdadeiramente incríveis» e «há muitas oportunidades para ser usada na indústria têxtil».

Danny Richman

As vantagens deste tipo de ferramenta foram vincadas por Danny Richman, que não só mostrou a FabricGenie como revelou que a própria ferramenta foi desenvolvida com recurso ao ChatGPT. «Todo o código foi escrito por inteligência artificial, em apenas 12 semanas. Apenas tivemos um designer do front-office para ficar bonito. Mas o lado técnico foi feito, na maior parte, pelo ChatGPT», indicou.

A aplicação FabricGenie permite, por exemplo, obter opções para a decoração de um ambiente, através do envio de uma foto do espaço ou então receber imagens de têxteis com base numa descrição. É possível ainda visualizar o produto com diferentes especificações.

A rapidez no desenvolvimento e essa possibilidade de visualização quase imediata são vantagens indiscutíveis, mas a questão sobre os direitos de autor de um produto desenvolvido por inteligência artificial levanta dúvidas.

Para Anja Bisgaard Gaede, a inteligência artificial deve ser vista como «uma ferramenta coletiva», mas que continua a exigir «que sejamos criativos», até porque os resultados vão depender dos inputs introduzidos. «Quanto mais criativo se for e mais conhecimento se tiver sobre diferentes aspetos do design, melhores resultados vamos obter», acredita.

Quanto ao futuro da inteligência artificial neste domínio, a fundadora da SPOTT considera que «temos de ver como as coisas evoluem. É uma tecnologia muito nova».

Já Danny Richman não tem dúvidas. «O medo é uma reação normal, mas as pessoas e as empresas vão ter de o ultrapassar, porque não há volta atrás. As pessoas têm que se adaptar», concluiu.