Na declaração fundamentada conjunta, publicada pelo Conselho de Administração e pelo Conselho de Supervisão ao abrigo da legislação alemã sobre ofertas públicas de aquisição, ambos os órgãos concluem, por unanimidade, que a contrapartida oferecida de 38 euros por ação é «financeiramente inadequada», após um processo de avaliação independente apoiado por pareceres do Bank of America e da Goldman Sachs.
A oferta do Frasers Group, anunciada a 25 de junho, corresponde ao preço mínimo exigido por lei, determinado pela cotação mais elevada paga pela retalhista britânica por ações da Hugo Boss nos seis meses anteriores à publicação da oferta. Representa um prémio de apenas 4,8% face ao fecho das ações a 9 de junho e de 4,3% relativamente ao preço médio ponderado pelo volume dos três meses anteriores ao anúncio.
A administração do grupo alemão considera que estes níveis não refletem o valor da estratégia Claim 5 Touchdown, apresentada recentemente, que define o plano de crescimento até 2028, prevendo alcançar uma margem EBIT de cerca de 12% a médio e longo prazo. Além disso, sustenta que dispõe das condições necessárias para executar a estratégia de forma independente, esperando já em 2026 os primeiros progressos operacionais, nomeadamente na reorganização das marcas e dos canais de distribuição, bem como uma melhoria gradual da margem bruta.
«A Hugo Boss tem uma estratégia bem definida, um perfil financeiro sólido e um caminho convincente para criar valor superior no longo prazo», afirma Daniel Grieder, presidente executivo da empresa. «Com a Claim 5 Touchdown, estamos focados em reforçar ainda mais as nossas marcas, melhorar estruturalmente a rentabilidade e acelerar a geração de caixa nos próximos anos. Neste contexto, acreditamos firmemente que o preço da oferta não reflete o valor intrínseco da empresa nem o seu potencial de longo prazo. Estamos totalmente empenhados em criar valor significativo para todos os acionistas nos próximos anos», acrescenta.
«A Hugo Boss é uma empresa sólida, com uma agenda estratégica bem definida e uma equipa de gestão altamente experiente», indica Stephan Sturm, presidente do Conselho de Supervisão. «Após uma análise abrangente e independente, concluímos que o preço da oferta é financeiramente inadequado e não reflete de forma apropriada o valor da Hugo Boss nem o seu potencial futuro. Estamos convencidos de que a continuação da execução da Claim 5 Touchdown proporcionará uma criação de valor superior para todos os acionistas. Ao mesmo tempo, esperamos manter uma relação construtiva com o Frasers Group enquanto maior acionista individual da Hugo Boss», salienta.
O grupo alemão refere ainda que a decisão de aceitar ou rejeitar a oferta deverá ser tomada individualmente por cada acionista, em função da sua situação específica e da sua própria avaliação sobre a evolução futura das ações. Para assegurar a independência do processo de avaliação, o Conselho de Supervisão constituiu um comité específico para analisar a operação. Michael Murray, diretor executivo do Frasers Group e membro do Conselho de Supervisão da Hugo Boss, foi excluído de todas as deliberações relacionadas com a oferta, de forma a evitar conflitos de interesse. Além disso, todos os membros do Conselho de Administração e do Conselho de Supervisão detentores de ações da empresa indicaram que não tencionam aceitar a oferta para as participações que possuem.



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