Hugo Boss quebra barreira dos sexos

Há cerca de quatro anos, depois de quase oito décadas na condição de empresa de moda exclusiva para homens, a marca de luxo alemã Hugo Boss decidiu experimentar o vestuário para senhora.

Uma nova designer contratada pela marca fixou-se em Milão, organizou deslumbrantes passarelas e pressionou os retalhistas da Hugo Boss, na Europa e nos Estados Unidos, a adoptar a sua nova linha – a Boss Woman.

A incursão da Boss no segmento feminino mostra quão difícil é ultrapassar a barreira dos sexos.

Depois de vários anos de contrariedades, a Hugo Boss mudou a sua divisão de vestuário feminino de Milão para Metzingen, uma pequena cidade localizada nas proximidades de Estugarda, onde está instalada a sede da empresa.

Após sofrer perdas de 49 milhões de euros e de passar por uma profunda reestruturação, a linha Boss Woman deu finalmente lucros, na segunda metade de 2003.

Os pedidos dos novos modelos da referida linha estão também em alta, o que poderá ser mais um indício de que a Boss acertou na fórmula que lhe permite vender com sucesso vestuário para senhora.

Com efeito, à medida que as empresas de moda e vestuário se transformam em conglomerados globais, com marcas distintas e extensas redes de lojas, um número crescente de empresas reconhece a necessidade de ter como público-alvo ambos os sexos, de forma a justificar as suas elevadas despesas.

Para as marcas de estilistas consagrados, que se arriscam a exceder os limites da actividade principal do seu negócio, atrair o sexo oposto parece ser o caminho mais óbvio para o crescimento, embora adoptar uma estratégia que abarque ambos os sexos seja mais difícil e complexo do que parece.

Quando em Outubro de 2000 a Hugo Boss apresentou a sua primeira colecção da linha Boss Woman, os consumidores não se mostraram particularmente impressionados, tal como as vendas, fazendo com que a empresa perdesse dinheiro.

No entanto, após a contratação da estilista Natalie Acatrini, em Março de 2002, as perspectivas melhoraram bastante, a ponto da Boss Woman ter contribuído com um milhão de euros para os lucros da Hugo Boss, no primeiro trimestre de 2004.