Heimtextil FrankfurtÉ, inegavelmente, a rainha das feiras dos têxteis-lar. Em 2006, o certame contou com 2.907 expositores, 72 dos quais portugueses e 89.000 visitantes provenientes de 122 países. «Trata-se de uma feira que reflecte o sector em cada um dos seus segmentos», sublinha Cristina Motta, representante da Messe Frankfurt em Portugal. Nas últimas décadas, a Messe Frankfurt tem vindo a exportar as suas mais importantes marcas da fileira casa, como a mono-sectorial Heimtextil e a multi-sectorial Ambiente e organizando feiras em locais estratégicos em todo o mundo. Actualmente, realiza três feiras com a chancela da Heimtextil (em Mumbai, na Índia, em Tóquio, no Japão e em Moscovo, na Rússia). «A Intertextile Shanghai é também uma feira de têxteis-lar, que tem um nome diferente por inicialmente ter incluído também os têxteis para vestuário (dado o crescimento de ambos os sectores, temos actualmente duas feiras, a Intertextile Hometextiles e a Intertextile Apparel Fabrics, ambas muito bem sucedidas no mercado chinês», explica Cristina Motta. Quanto à Ambiente, é a maior feira internacional de artigos decorativos e para o lar. A sua última edição contou com 4.604 expositores provenientes de 85 países e 150.000 visitantes provenientes de 128 países. à semelhança do que acontece na Heimtextil, também aqui Portugal está bem representado com cerca de 80 expositores, entre os quais de têxteis-lar. «A nível internacional fez sentido a dada altura apresentar um conceito de feiras híbrido, que incluísse a Ambiente e a Heimtextil numa perspectiva de recriação de ambientes», explica a representante da Messe Frankfurt. Assim nasceu a Interior Lifestyle, que é uma feira muitíssimo bem sucedida no Japão e que tem estreia marcada para Setembro em Xangai. Para além destas duas, foi lançada há dois anos a Interior Lifestyle USA, ainda modesta, e em 2008 realiza-se a Design Lifestyle nos Emiratos Árabes Unidos, que pretende ser uma feira de qualidade num mercado exigente.«Não há dúvida de que a indústria exportadora portuguesa de têxteis-lar está presente quase na totalidade nas mais importantes feiras do sector, a Heimtextil e a Ambiente», sublinha Cristina Motta. Em particular, na Heimtextil tem-se vindo a assistir a uma afirmação sustentada das empresas portuguesas que, sobretudo desde 2001, ano em que Portugal foi país parceiro, têm realizado grandes investimentos em marketing, no design, na apresentação da empresa (i.e., nos stands) e na comunicação. O resultado é que, das quase oitenta empresas portuguesas na Heimtextil, cerca de um terço está no Dreamland, área destinada exclusivamente aos têxteis europeus e norte americanos de comprovada qualidade (para se pode participar neste pavilhão é necessário submeter os produtos a um júri de selecção). «Podemos hoje afirmar com alguma segurança que a maior parte das empresas portuguesas presentes na Heimtextil está preparada para o mercado global. Já não teme a chamada ameaça asiática. São empresas que se souberam reestruturar, recriar, que souberam, sobretudo, adaptar-se às novas condições de mercado, reposicionando-se atempadamente, o que em alguns casos passou pelo assumir de uma vocação para nichos», declara a responsável da messe Frankfurt em Portugal. «Se na Heimtextil encontramos empresas maduras, ainda que por vezes jovens, na Ambiente ainda assistimos a algumas convulsões. Há alguns sectores ainda em sofrimento, como o do vidro e o da cerâmica e isso reflecte-se naturalmente na prestação das empresas em Frankfurt. Registamos contudo formas de negócio relativamente novas em Portugal que nascem de uma aproximação ao mercado asiático e que implicam um funcionamento global, chamemos-lhe assim, para simplificar. Empresas portuguesas com filiais na China que apostam no design e numa marca ao gosto dos seus clientes-alvo e que remetem a produção para o Extremo Oriente». Em suma, as feiras internacionais têm características diferentes entre si e consoante os objectivos da empresa, pode ou não fazer sentido participar localmente nesta ou naquela feira. Assim, conforme se está a procurar mercados para escoar stocks, se está à procura de um distribuidor local ou se quer aproveitar o balanço dos mercados emergentes para aí lançar uma marca nova, fará sentido participar nesta ou naquela feira. Em qualquer dos casos participar numa feira local significa sempre sentir-lhe o pulso. Maison&ObjectA feira da moda e na moda. Para quem adoptou uma estratégia de marca, este é um rendez-vous obrigatório. Mas são mais os candidatos que os lugares disponíveis, e as marcas portuguesas de têxteis-lar não fogem à regra. No entanto, a entrada na M&O não é nada fácil na medida em que a selectividade imposta pela organização é muito grande. Historicamente, o Maison&Objet resultou da junção de vários pequenos salões, que estrategicamente foi evoluindo ao longo dos anos, de forma a acompanhar a evolução do mercado média-alta gama. O salão francês, que tem lugar duas vezes por ano (Fevereiro e Setembro) apresenta um conceito global para a casa, numa abordagem horizontal, com uma oferta bastante qualitativa que acompanhou a evolução da distribuição. Em 1995, registou 1.300 expositores e 38.000 visitantes. Em Fevereiro de 2007 foram quase 3.000 expositores e 83.410 visitantes. Nesta última edição, a Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria, organizou, com o apoio do Icep, a participação de 16 empresas portuguesas, numa das acções integrada no projecto "Fileira Casa 2006/2007". Em termos de visitantes, Portugal ocupava a décima posição, mas acaba de ser ultrapassado nesta edição pela Rússia.Em 12 anos, o Maison&Objet impôs-se como o ponto de encontro bianual obrigatório para descobrir novidades (colecções e criadores), desenvolver parcerias e negócios, detectar e analisar as tendências dos mercados da casa e usufruir de uma oferta selectiva em todas as áreas. Hoje, atingiu um patamar em que numerosas marcas de têxteis-lar o utilizam como plataforma para a sua internacionalização, já que o valor dos produtos é amplamente privilegiado e a moda e a decoração, em termos de criação, cada vez mais próximas. O sector dos têxteis-lar ocupa o hall 2. Outros halls em destaque são o Ethnic Chic (hall 1), destinado ao comércio justo, e o Côté Déco (halls 4 e 5/A), que reúne mobiliário, candeeiros, objectos de decoração e acessórios diversos. Mas há ainda muito mais a descobrir neste salão de moda para o lar.As duas edições de 2007 da Maison & Objet são dedicadas a Christian Lacroix, um criador de moda bastante sensível a outros universos, tais como o vestuário para teatro e ópera e a decoração no sentido mais lato. MacefCriado em 1964, o Macef apresenta também com um conceito global para a casa e uma periodicidade bianual (Janeiro e Setembro). A última edição, sob o slogam "Abita com gioia" (habitar na felicidade) contou com cerca de 3.500 expositores e 88.426 visitantes, ocupando uma superfície de 150.000 metros quadrados no Parque de Exposições de Rho. No entanto, o sector dos têxteis-lar foi um dos menos representativos, com apenas cerca de sessenta stands. A entidade organizadora pretende, todavia, colmatar esta lacuna nas próximas edições, não destinando um pavilhão específico como no passado, mas instalando os expositores nas nos sectores que melhor correspondem às tendências dos seus produtos. «O Macef cria, durante 4 dias, uma relação de intensa interacção entre todos os actores dos sectores envolvidos e constitui uma oportunidade para observar bem de perto as novidades do mercado e ganhar um comprimento de avanço da evolução da procura», afirma Caterina Zambelli, responsável de comunicação da Fiera Milano, entidade organizadora do salão.Em média, por edição, participam cerca 14 expositores portugueses e a afluência nacional em termos de visitante atinge as três centenas, o que representa a décima posição na classificação por países. Especialmente vocacionado para o mercado italiano, a principal objectivo do Macef é, segundo Caterina Zambelli, atrair mais expositores e visitantes estrangeiros. Para tal, o salão esteve a promover uma acção de divulgação no Chicago International Home & Housewares Show, que decorreu no início do corrente mês, e fará o mesmo no Hong Kong Housewares Show, a ter lugar de 21 a 24 de Abril, e no Sidim de Montreal, no Canadá, agendado de 24 a 26 de Maio. «Estas iniciativas proporcionarão uma base "local" a ser usada para conquistar novos expositores e visitantes», conclui Caterina Zambelli. Textil HogarO salão espanhol de têxteis-lar Textil Hogar reflecte a actual realidade do seu mercado. A 38ª edição, que decorreu em Janeiro último, registou uma queda do número de expositores, que passou de 225, no ano transacto, para 207. A sua afluência manteve-se, todavia, estável, com 16.200 visitantes (12% estrangeiros). «Perdemos apenas alguns expositores e o nível das empresas presentes foi elevado», sustenta Nicolas Tero, presidente do salão. «Procuramos ser coerentes e não queremos transformar num salão com uma forte presença asiática». Desta forma, o Textil Hogar mantém a sua qualidade de salão exclusivamente europeu, continuando a recusar a presença de expositores asiáticos, que em número de 40 tinham apresentado a sua candidatura ao salão. A edição de 2007 ficou também marcada por uma aposta na estética mediterrânea e, tendo em conta que o mercado têxtil mudou muito nos últimos anos com os retalhistas e os grandes armazéns a verem reduzida a sua quota de mercado ano após ano, a organização decidiu implementar uma série de actividades de forma a revitalizar os pontos de venda. Deste modo, o certame contará com 5 novos espaços: a "Oficina de Escaparate", a "Oficina de Merchandising", a "Oficina de Confecção de Cortinas", o "Autodiagnóstico do Ponto de Venda" e o "Espaço Gurus".«A guerra industrial contra a Ásia está perdida. Assumimos esta realidade, mas resta-nos ainda a guerra comercial, que deveremos ganhar», conclui Miguel Bixquert, director da Textil Hogar. New York Home Textiles ShowApesar de não ser uma feira que se encontre no caminho dos portugueses, o New York Home Textiles Show não deixa de ser um certame ao qual estão atentos na medida em que estão lá muitos dos seus clientes como expositores e, por consequência, grande parte da sua gama de produtos. No entanto, nem a mudança para o Metropolitan Pavillion foi capaz de dar um novo fôlego aos potenciais expositores do salão americano. Esta edição, que teve lugar entre 28 e 31 de Janeiro, contou apenas com quatro dezenas de expositores, isto significa menos vinte que na edição de Agosto de 2006, na sequência de uma estratégia da organização, a George Little Management, de incrementar a selectividade, guardando apenas as marcas da gama alta. Em contrapartida os visitantes afluíram em maior número: 5.000 contra 3.000 em Agosto último.O fenómeno do crescente sucesso dos salões multi-sectoriais chegou também a Nova Iorque. Ao contrário do salão de têxteis-lar, o New Yourk International Gift Fair, organizado pela GlLM, está em plena expansão, o que obriga os expositores do primeiro a repensar as suas opções. A última edição reuniu mais de 2.800 expositores e 40.000 visitantes profissionais.










