H&M vai produzir ainda mais em Portugal

A H&M reduziu o leque de fornecedores portugueses com que habitualmente trabalhava, e aumentou as encomendas para a short list escolhida, não só porque estão muito satisfeitos com a produção nacional, mas sobretudo para suprir as necessidades de produto crescentes das suas novas lojas em Portugal. São estas algumas razões para uma breve conversa do Portugal Têxtil com Pedro Nogueira, um dos responsáveis do departamento de compras do gigante sueco em Portugal, com escritório no Porto, mais perto da «região têxtil» do país. Portugal Têxtil (PT) – Quais são os produtos agora mais pretendidos? Pedro Nogueira (PN) São sobretudo meias,- e destacamos aqui o grande crescimento da procura deste artigo em particular -, e depois peças em malha- 100% lã merino -, e vestuário desportivo- misturas de algodão/Lycra. PT- Quanto é esse aumento actual das encomendas? PN- É um aumento de 15%. PT- E qual é o volume de produção envolvido? PN- São dez milhões de peças. PT- Disse-nos numa anterior entrevista que, na procura dos «melhores fornecedores» em Portugal, encontravam empresas que trabalhavam muito bem e cumpriam todos os requisitos pretendidos, e outros que era preciso estar sempre a vigiar. Esta selecção- de que resultou trabalhar actualmente com menos empresas, mas aumentando as encomendas -, é o resultado deste «peneirar»? PN Sim, é o resultado de uma escolha constante, e estamos muito satisfeitos com o trabalho destas empresas com quem estamos a trabalhar actualmente. PT- E frisamos o advérbio «actualmente», pois o a ideia que temos do modelo da H&M é de estar sempre à procura das melhores propostas na relação do binómio preço/qualidade. Mantém-se o modelo? PN- Sim, neste momento a carteira de clientes é esta, mas pode não se manter no futuro, pois o modelo é esse. PT- Mas embora a carteira tenha diminuído, em termos proporcionais Portugal perdeu quota na carteia global da H&M? PT- Não, antes pelo contrário, cresceu um pouco. PT- Sobretudo pelo aumento da procura devido às novas lojas? PN- Sim. PT- Como avalia os resultados das lojas? PN- São muito bons. PT- Mas para além deste factor, há alguma característica do trabalho das empresas que também tenha contribuído para este aumento de procura? PN- Sim, as empresas têm trabalhado cada vez melhor com o conjunto de requisitos imprescindíveis, e estão a trabalhar com base em qualidade e reposta rápida. Por isso é que são nossos fornecedores. PT- Fala-se muito agora da tecnologia RFID; vão aplicar esta tecnologia nas lojas? PN- Para já não, pois ainda há algumas dúvidas se as vantagens compensam os custos do investimento inicial, sobretudo na fase do retalho, pois na da produção é um pouco mais consensual. Acrescento alguma dúvida também na boa aceitação por parte do cliente. Mas embora não seja para já, estamos a estudar o caso. PT- Pode adiantar-nos quais são as perspectivas para o futuro, depois deste aumento anunciado? PN- Sim, no futuro vamos aumentar ainda mais as encomendas em Portugal.