A sueca H&M vai abastecer-se de lã noutros países que não a AustrÁlia após a associação Peta (People for the Ethical Treatment of Animals) ter denunciado que a indústria de lã australiana renegou» a promessa de acabar com a prÁtica de “mulesing” nas ovelhas até 2010. A nossa nova posição é começar imediatamente a procurar alternativas sem esta prÁtica», refere a directora de responsabilidade social e ambiental da H&M, Ingrid Schullstrom, num e-mail enviado à Peta. O porta-voz da Peta, Jason Baker, afirma que a prÁtica é cruel e que existem alternativas, daí que a H&M serÁ apenas o primeiro dos retalhistas que estão frustrados, e que podem ir a outro país buscar lã que não seja obtida através desta prÁtica». O “mulesing” é uma técnica controversa usada sobretudo pelos agricultores australianos para prevenir os problemas e a possível morte causada por larvas, através do corte de pele à volta do rabo da ovelha. As notícias apanharam de surpresa os produtores australianos. O porta-voz da Associação Australiana de Produtores de Lã, Martin Oppenheimer, considera o boicote surpreendente, jÁ que, segundo afirma, as prÁticas de “museling” na AustrÁlia melhoraram. Temos analgésicos que têm sido usados pela indústria australiana de lã, por isso é muito surpreendente que este tipo de decisão tenha sido tomada». A Australian Wool & Sheep Industry Taskforce estÁ jÁ a caminho da Europa para entrar em conversações com a H&M, embora, segundo o presidente da associação, Don Hamblin a reunião estivesse jÁ agendada. Eu e outros membros da “equipa de intervenção” vamos encontrar-nos com os representantes da H&M em Estocolmo e parece estranho que todas estas notícias tenham surgido apenas alguns dias antes deste encontro», afirma. Hamblin refere ainda que a indústria sabe muito bem manter os seus compromissos com os retalhistas mas parar a prÁtica de “mulesing” agora, sem alternativas efectivas, deixaria muitas ovelhas susceptíveis a uma morte horrível e dolorosa com a infecção por larvas». A Peta e a indústria australiana de lã têm jÁ um historial de batalhas judiciais e na opinião pública sobre o museling e a exportação de ovelhas vivas para o Médio Oriente. Louvamos a H&M por acrescentar o seu nome ao esforço mundial para erradicar a prÁtica do “mulesing”», afirmou a presidente da PETA Ingrid Newkirk, considerando ainda que a decisão da empresa vai acelerar o dia em que a indústria australiana de lã serÁ vista apenas como mutiladora de cordeiros e abusadora de ovelhas». A H&M, a segunda maior retalhista europeia com 1.524 lojas em 28 países, revelou também recentemente os resultados das vendas de Janeiro. De acordo com os números divulgados, a H&M registou um aumento de 3% das vendas comparÁveis nas lojas, um valor mais reduzido do que o esperado pelos analistas. A expectativa média numa consulta da Reuters a 10 analistas era de um crescimento de 5,1% nas vendas comparÁveis. A terceira maior retalhista de vestuÁrio mundial em termos de vendas revelou ainda que o retorno total aumentou 17% para o mês. JÁ tinha anunciado um aumento nas vendas totais até 29 de Janeiro de 16% juntamente com os resultados do quarto trimestre (ver Ano positivo na H&M). Se compararmos com o que alguns dos retalhistas do Reino Unido e dos EUA disseram no mês passado, a H&M estÁ bastante bem», referiu Bjorn Schwarz, analista no Sydbank. A H&M, contudo, não comentou estes dados. Nem faz uma divisão por mercados ou vendas mensais. Os retalhistas tiveram um início de ano complicado, com a confiança do consumidor a ser testada devido aos problemas no mercado imobiliÁrio nos EUA e à consequente crise no crédito. Num estudo publicado na semana passada, a agência S&P revela que as perspectivas para os principais mercados de retalho da Europa devem ser complicados em 2008. HÁ jÁ algum tempo que o ambiente económico parecia fraco para o sector do retalho nas principais economias europeias, numa altura em que a agitação do mercado financeiro coincide com um risco acrescido de recessão nos EUA e possivelmente nos países da Europa, especialmente o Reino Unido», revela a S&P. Contudo, com as suas roupas de baixo preço mas na moda, uma abrangência geogrÁfica elevada e iniciativas bem sucedidas na Internet, muitos analistas vêem a empresa bem colocada para vencer a tormenta. Os consumidores podem bem ir às lojas da H&M em vez de comprarem roupa mais cara», diz Scharz. E isso deve reflectir-se nas vendas da H&M».










