H&M abandona fábrica na Turquia

A retalhista sueca pôs fim aos negócios com um fornecedor turco após o presidente de um sindicato ter sido, alegadamente, baleado na unidade produtiva do mesmo em Esmirna.

[©Akar Tekstil]

Notícias locais afirmam que Makum Alagöz, presidente do sindicato Deriteks, foi baleado na perna durante uma reunião com o dono da Akar Tekstil em Esmirna, uma empresa que se afirma como “sustentável” e que, de acordo com a informação disponível no seu website, fornece, além da H&M; a Mango, a Kiabi e a C&A. O website lista ainda as marcas do grupo Inditex Bershka, Pull&Bear e Zara como clientes, mas o grupo espanhol não confirmou essa informação.

Alegadamente, o responsável sindical sofreu uma fratura óssea e permanece no hospital em situação não crítica. A Fair Labor Association, que promove os direitos humanos em contexto laboral, afirmou estar «fortemente perturbada» com as notícias.

Face a esta situação, um porta-voz da H&M confirmou ao Just Style que a retalhista sueca pôs fim a todas as relações comerciais com este fornecedor após ter sido informada destas «notícias chocantes».

Uma publicação local, citada pelo Just Style, referiu que a H&M tinha já em curso uma saída faseada deste fornecedor, mas que agora colocou um ponto final definitivo nas relações com o mesmo.

A Fair Labor Association revela que o sindicato Deriteks tem um acordo de negociação coletiva na fábrica em questão. Os proprietários da Akar Tekstil terão submetido um pedido de insolvência, com as negociações com os sindicatos a versarem sobre o pagamento de indemnizações aos trabalhadores.

Numa publicação na rede social X, ex-Twitter, o Deriteks afirmou que «este ataque foi feito primeiro contra o nosso sindicato e depois contra toda a classe trabalhadora e o seu poder organizado, todos os sindicatos».

Em comunicado, a Fair Labor Association afirmou estar «solidária com Makum Alagöz, a sua família e o Deriteks, e deseja uma recuperação rápida. Encorajamos as autoridades turcas a rapidamente levar à justiça os perpetradores envolvidos neste ataque. A FLA apoia a liberdade de associação dos trabalhadores. Atos de violência contra líderes laborais suprimem e interferem com este direito humano fundamental e não devem ser tolerados».

Também o IndustriAll manifestou o seu repúdio pelo acontecimento, numa carta aberta ao Deriteks, onde sublinha que «o uso da força e de armas contra representantes dos trabalhadores é criminoso e completamente inaceitável. Gostaríamos de enviar uma mensagem clara aos nossos membros na Akar Tekstil que estamos completamente com eles na sua luta. É o seu direito fundamental sob a lei internacional promover os interesses dos trabalhadores, que escolheram juntar-se num sindicato e exigir a sua parte justa dos lucros e produtividade».

A notícia surge depois da indústria turca ter revelado um plano para conseguir duplicar as exportações de vestuário.