«Há claramente um abrandamento do consumo a nível nacional e internacional»

Tanto no private label como nas marcas próprias, a Flor da Moda tem sentido uma certa retração nas compras, confirma a administradora Rute Sousa, embora a empresa esteja a conseguir crescer nesta conjuntura.

Rute Sousa

Melhorias consideráveis, no entanto, só deverão surgir quando as taxas de juro estabilizarem e a inflação diminuir, acredita a administradora. Até lá, revela em entrevista ao Jornal Têxtil, a empresa está empenhada em encontrar novos clientes e diversificar a sua oferta.

Que balanço pode fazer do negócio da Flor da Moda no ano até agora?

Até agosto verificamos um ligeiro crescimento do negócio no geral. Tivemos um aumento no negócio do private label devido ao aumento do trabalho de prospeção. Quanto às marcas próprias, claramente no mercado português vemos um abrandar do consumo. Dada esta tendência dos mercados é no reforço do private label que temos colocado o nosso maior empenho.

Na sua perspetiva, quais os motivos subjacentes a essa evolução?

Há claramente um abrandamento do consumo a nível nacional e internacional. A guerra, a inflação e os problemas com o aumento das taxas de juro, nomeadamente no crédito à habitação, são uma realidade na vida das pessoas, que estão a perder poder de compra, o que leva a uma redução ao consumo. A estabilização das taxas de juro e a redução da inflação são cruciais para o futuro do consumo e do negócio.

Face ao ano passado, a empresa aumentou os seus preços?

A alteração verificada foi em linha com o aumento dos custos.

Quais são atualmente os principais desafios que a empresa enfrenta?

Os principais desafios são claramente o reforço e a conquista de novos clientes por forma a minimizar a redução do volume das encomendas. Outro fator importante é a falta de mão de obra qualificada.

Que medidas tem tomado para responder a esses desafios?

As medidas são claramente a da prospeção, maior empenho da captação de novos clientes, a diversificação da oferta e claramente a boa negociação com fornecedores.

Quais são as perspetivas para o resto do ano ao nível do private label e nas marcas próprias?

Prevemos no private label atingir os objetivos a que nos propusemos para o ano. No caso das marcas próprias existe uma enorme incerteza, mas estamos a preparar e a colocar em prática uma estratégia comercial e de comunicação que nos permita manter os níveis de crescimento perspetivados.

E para 2024, quais são as expectativas para os diferentes negócios?

No primeiro semestre de 2024 prevemos uma ligeira subida do volume de negócios, no caso do private label, muito resultante do trabalho de conquista de novos clientes. No caso das marcas próprias prevemos um volume de vendas no primeiro semestre ligeiramente superior ao de 2023. As perspetivas para o segundo semestre são mais animadoras, mas tudo depende das políticas que se venham a verificar, se haverá um aligeirar da pressão financeira, derivada das taxas de juro e da inflação. E da conjuntura que se venha a verificar nos mercados europeu e americano.