gua, o ouro ao estado puro

A Graça, o Bernardo e o António são investigadores e designers do século XXI, com conhecimentos e competências que se encaixam como as peças de um puzzle. A Graça cria novos conceitos e marcas, explora oportunidades de mercado. O Bernardo desenha produtos, desenvolve soluções. O António investiga materiais e processos. Em conjunto, procuram identificar problemas, explorar possibilidades, desenvolver projectos sustentáveis com valor comercial. Aprenderam com a experiência que, em equipa, abarcavam um universo mais vasto de possibilidades e podem, rápida e eficazmente, responder a um mais vasto conjunto de problemas, quer se limitem à resposta a necessidades quotidianas, quer respeitem a questões mais amplas que afectam o ambiente natural. Desta forma, estavam perfeitamente sensibilizados para a importância de um combate eficaz contra a crescente diminuição dos recursos hídricos, um problema que tem dominado a actualidade e ao qual a Europa, incluindo este país à beira-mar plantado, não tem sido poupada. Quando tomaram conhecimento do Coram Sustainable Design Award, centrado na problemática da água, decidiram arregaçar as mangas e meter mãos à obra. De um brain storming sobre novas ideias e produtos nasceu a “Water Carpet”, destinada a combater o problema da crescente da desertificação que está a transformar o planeta verde numa triste mancha castanha. «Na prática, trata-se de um primeiro passo para a recuperação do ecossistema, da criação de condições que permitam a recuperação da mancha florestal», sublinham os investigadores do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (2C2T) da Universidade do Minho. «Não é um projecto dispendioso, face aos benefícios que comporta, e adequa-se à replantação de grandes áreas, podendo ser implementado em qualquer parte do planeta. Impõe-se, contudo, que cada área a tratar seja estudada e o sistema preparado para o local em questão». A Water Carpet é uma espécie de “jardim de tulipas” constituído por uma parte aérea responsável pela captação da água que se encontra em suspensão na atmosfera e uma parte subterrânea, formada por tudos que conduzem a água para a semente, colocada num depósito, que permite assegurar a sustentabilidade hídrica da planta. Este projecto caracteriza-se, essencialmente, por um perfeito equilíbrio nos vários domínios de intervenção. Do ponto de vista da captação e uso, o conceito actua em cooperação com a natureza e estabelece uma relação ecologicamente consequente entre o material, a performance e o impacto visual. Os materiais introduzidos no subsolo são de natureza têxtil e biodegradáveis, como por exemplo não-tecidos celulósicos com tratamentos especiais. As campânulas são em aço inoxidável e reutilizáveis. Deste modo, a Water Carpet ajuda a natureza a encontrar o seu equilíbrio e combate o desperdício. Este projecto foi seleccionado pela entidade organizadora, a empresa holandesa Coram, como um dos 5 melhores entre um total de cerca de 90 vindos de todo o mundo. Este Top 5 inclui, para além do português, os projectos “Pipa” do brasileiro Fernando Secomandi, “Solar Spring” do checo Michal Fitrik, “Fons en Origo” dos naturais de Taiwan, Meng-chia Kuo e Hauchen Wang, e “Water Tree” do coreano Junggi Sung. «Ficámos muito felizes com o reconhecimento do valor da ideia e do seu design», afirmam Graça Guedes, Bernardo Santarém e António Souto. «Agora gostaríamos de desenvolver o protótipo e proceder à sua experimentação».