Grupo ADI reforça aposta na Tecstar

A fibra ignífuga produzida em Portugal está a ganhar clientes um pouco por todo o mundo e esteve em destaque na mais recente edição da Techtextil, com a empresa espanhola a acautelar um possível aumento de capacidade para responder à procura.

Rita Lima

Especialista na fabricação e distribuição de produtos químicos, o Grupo ADI, sediado em Espanha e com filiais em Portugal, Marrocos, França e Brasil, está a dar uma maior ênfase à fibra Tecstar. A fibra ignífuga, criada há 45 anos, tem sido usada em aplicações como não-tecidos, mas desde há cerca de quatro anos que a empresa tem feito novos desenvolvimentos. «Neste momento já conseguimos tingir a fibra, que naturalmente é cor de rosa. Hoje já pode ser tingida em massa ou em fibra. Estamos a finalizar todos os processos e temos uma grande variedade de cores», sublinha Rita Lima, product manager do Grupo ADI.

A fibra resulta de uma transformação química do acrílico convencional para poliacrilato, o que permite que se torne 100% à prova de fogo, sem gotejar, incandescer ou inflamar, ao contrário do poliéster comum. «Ela simplesmente carboniza, eliminando a possibilidade de labaredas», explica. Esta característica torna a Tecstar particularmente útil para vestuário de proteção, como o usado por bombeiros e pilotos de Fórmula 1.

Além de ser resistente ao fogo, a Tecstar também é resistente a ácidos, bases, agentes oxidantes, hidrólise e luz ultravioleta, mantendo intactas as suas propriedades mecânicas, indica Rita Lima. «Uma das maiores vantagens da Tecstar é a sua capacidade hidrofílica, o que significa que absorve a humidade, prevenindo queimaduras causadas pelo suor em situações extremas», destaca ao Portugal Têxtil.

A Tecstar soma ainda «uma série de características excecionais, como ser anti-estática, antibacteriana e anti-odores, além de bloquear o calor», enumera a project manager, podendo ser usada também na produção de roupa interior e meias para utilização em condições adversas.

Em países como a Austrália, onde está bastante disseminada, a Tecstar está a ser usada no fardamento dos bombeiros, inclusivamente na produção de meias. A empresa tem ainda projetos com a fibra na Europa e EUA, estando a dar os primeiros passos também no Brasil. «A verdade é que a Tecstar é mais conhecida fora de Portugal, mas estamos a estabelecer parcerias para desenvolver produtos e expandir a sua utilização no mercado nacional», revela Rita Lima.

O segredo está em «encontrar a mescla perfeita para utilizar a fibra e obter a melhor performance», assume. A Tecstar pode ser usada em misturas com fibras como a meta-aramida e a poliamida, para melhorar a tenacidade e a versatilidade do produto. «A meta-aramida pode ser misturada com a Tecstar para melhorar as características da fibra e reduzir o custo final das peças», exemplifica.

O foco da empresa está atualmente «em áreas onde é utilizada a meta-aramida, onde somos mais concorrenciais», aponta a project manager.

Quanto ao fabrico, «neste momento, conseguimos suprimir as necessidades do mercado, mas estamos preparados para escalar a produção conforme necessário», refere Rita Lima, que salienta que «a produção é toda feita em Portugal, garantindo a qualidade e a sustentabilidade do processo».

O objetivo, que está a ser trabalhado inclusivamente com a presença em certames internacionais como a Techtextil, é «vender em todo o mundo. Quanto mais conhecida for a fibra, melhor. Não temos uma limitação de mercado, tanto que temos parceiros em várias partes do mundo para promover esse conhecimento», conclui Rita Lima.