A gripe das aves já atingiu dez países asiáticos e obrigou ao abate de milhões de galináceos, o principal reservatório do vírus, que está presente nas fezes dos animais. no entanto, aparentemente, o vírus passou a barrira da espécie e até agora, a Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou 11 casos de humanos infectados pelo vírus aviaria – influenza A (H5N1). No sudoeste asiático, região especialmente atingida pela epidemia, a doença já infectou milhões de galinhas que tiveram de ser abatidas. No início de 2004, cinco pessoas morreram no Vietname e uma na Tailândia, vítimas da gripe das avesA OMS já alertou para o risco de contaminação ao ser humano da gripe das aves, embora a doença não seja transmissível através da ingestão de carne, mas sim pelas vias respiratórias e em condições excepcionais. Não existindo actualmente demonstração da sua transmissão entre pessoas, a possibilidade de mutação do vírus preocupa as autoridades sanitárias mundiais, com a eventualidade do vírus poder incorporar material genético de outros vírus, como o da gripe humana, o que alteraria o seu comportamento, em termos de transmissão. Segundo a OMS, se o vírus se associar ao vírus comum da gripe do homem e se tornar transmissível, tem o potencial para causar grandes danos.Assim, as autoridades mundiais de saúde, como a Direcção-Geral da Saúde (DGS), estão a recomendar a quem viaja para o sudeste asiático para evitar mercados, quintas ou outros sítios com aves vivas, locais onde existe maior risco dos humanos contraírem o vírus da gripe das aves. A DGS, tal como todas as autoridades mundiais de saúde, elege a prevenção como a melhor forma de evitar a propagação do vírus da gripe aviária. No entanto, até ao momento, a OMS ainda não aconselha quaisquer restrições na movimentação de pessoas.Por enquanto a gripe das aves é uma zoonose, doença comum aos animais e humanos e está confinada ao continente asiático, que continua a ser uma incubadora de novas doenças, devido à estreita convivência entre as pessoas e os animais, às habitações exíguas, com péssimas condições sanitárias e devido à forma como as aves para consumo humano são vendidas: vivas e em mercados de grande dimensão e sem condições de higiene adequadas.Como explicou à Agência Lusa o sub-director-geral da Saúde, Francisco George, está-se perante «uma epidemia muito extensa, provavelmente a maior de sempre» em aves. No entanto, e ao contrário do que aconteceu em 1997, quando a gripe das aves atingiu Hong Kong, a medicina dispõe actualmente de medicamentos anti-virais, os quais além de tentarem tratar a gripe também actuam como profilaxia. A nível mundial está a ser desenvolvida uma vacina contra o A(H5N1), existindo já um protótipo. Para Francisco George, «é possível que se encontre uma vacina contra este vírus antes de este ter a capacidade de transmissão de humano para humano».A gripe das aves não é transmissível ao homem através do consumo de carne. A doença só é contraída se o homem estiver em contacto directo com os animais infectados vivos, quando são inalados os vapores exalados das fezes, onde o vírus permanece em estado latente. Quando infectado pelo vírus, o ser humano tem sintomas semelhantes ao de uma gripe normal – febre, dores no corpo, garganta irritada e tosse. Em alguns casos, desenvolve-se nos olhos conjuntivites. Está confirmado que as cinco mortes no Vietname foram provocadas pelo vírus influenza A – ou H5N1 – o mesmo vírus encontrado em milhares de galinhas na Ásia. No entanto, a OMS está preocupada com as mutações que o vírus pode vir a sofrer.Uma nova estirpe do vírus – o H5N2 – foi responsável, em 1999, pela infecção em duas pessoas em Hong Kong. A OMS pediu, entretanto, a 11 laboratórios farmacêuticos que comecem a trabalhar no desenvolvimento de uma possível vacina para o Homem.Portugal tem em vigor um Plano de Contingência para a gripe das aves, que foi formulado durante o primeiro surto da infecção em Hong Kong.









