Governo francês fomenta os têxteis técnicos

O governo francês quer encorajar a fileira têxtil a desenvolver as suas actividades nos têxteis técnicos. A Direcção Geral das Empresas (DGE), do ministério da Indústria, encomendou ao gabinete Développement et Conseil um estudo subordinado a este tema, que foi apresentado no passado dia 13 de Março durante um “Cruzamento dos Têxteis Técnicos” que reuniu no ministério 350 industriais – oriundos do têxtil puro ou não – e peritos. Os têxteis ditos técnicos (cujas performances técnicas e propriedades funcionais prevalecem sobre as características estéticas) são potencialmente utilizáveis em todos os sectores da indústria, desde os transportes aos cuidados de saúde. O crescimento mundial dos têxteis técnicos cifra-se em 3,3% ao ano desde há 10 anos. A progressão europeia do sector, tanto em valor como em volume, similar à dos EUA, situa-se desde 1995 nos 2,8%, um valor todavia abaixo das taxas asiáticas, que ascendem a 4%. E a procura porta-se bem: em constante alta desde 1995, o consumo mundial de têxteis técnicos atingiu, em 2005, os 85,5 mil milhões de euros, ou seja 19,7 milhões de toneladas. A progressão deste consumo deverá continuar, segundo o mesmo estudo, atingindo em 2010 os 100 mil milhões de euros e os 22 milhões de toneladas. Actualmente, a China consome cerca de metade (8,5 milhões de toneladas), seguida pela América (5,8 milhões) e a Europa (4,8 milhões), onde apenas 4 países representam aproximadamente metade da procura: Alemanha (14%), França (12%), Reino Unido (10%) e Itália (9%). A Alemanha, presente há muito tempo neste sector, é o primeiro player europeu (os têxteis técnicos representam 40% da sua fileira têxtil) e realiza um volume de negócios de 8 mil milhões de euros. Muito à frente da França, que ocupa a segunda posição, com uma facturação de 4 mil milhões de euros e 380 empresas, especializadas ou não. O sector representa 17% da ITV francesa, o que segundo o estudo conduzido pela DGE não é suficiente, preconizando assim a sua duplicação, que representaria uma taxa de crescimento ao ano na ordem dos 4% para as empresas que já operam neste sector. Um outro objectivo seria atingir uma taxa de exportação superior a 50% contra os 36% actuais, visando 5 aplicações-chave: transportes, indústria, desporto e lazer, medicina e casa. Verdadeira oportunidade, os têxteis técnicos não constituem todavia a solução milagre da fileira, mais em busca de diversificação do que reconversão. Não se trata, efectivamente, de um sector têxtil propriamente dito, mas de um domínio situado na interface com outras competências afastadas, se não distintas, dos têxteis tradicionais: física, química, electrónica,… Deste modo, necessita de formações adaptadas e, sobretudo, de capitais para financiar a investigação e desenvolvimento.