Governo alemão apoia hidrogénio verde na têxtil

O Ministério Federal dos Assuntos Económicos e Ação Climática da Alemanha está a apoiar um projeto liderado pela construtora de maquinaria têxtil Monforts para usar hidrogénio verde como fonte de energia alternativa nos processos de acabamentos têxteis.

[©Monforts]

O projeto WasserSTOFF foi lançado em novembro de 2022 e terá uma duração de três anos, período durante o qual irá ser explorado de que forma o hidrogénio pode ser usado ao nível da indústria têxtil, nomeadamente como fonte de energia nos acabamentos.

«Toda a gente sabe que os acabamentos têxteis são processos que consomem muita energia», explica Gunnar Meyer, diretor-geral da empresa alemã, que lidera o projeto. «Para tornar este processo mais eficiente, a Monforts já oferece várias soluções, mas enquanto líder tecnológico estamos também a responder ao desafio de explorar alternativas de aquecimento para estarmos preparados para o futuro», acrescenta.

Para ser considerado “verde”, o hidrogénio tem de ser produzido usando um processo de carbono zero que é alimentado por fontes de energia renováveis como a energia solar ou eólica. Atualmente, o método mais limpo de produzir energia é a eletrólise, que através de uma corrente elétrica permite separar as moléculas de água em oxigénio e hidrogénio. A pureza do hidrogénio é igualmente importante, sendo necessário remover as impurezas através de um processo de separação.

[©Monforts]
«Apesar de todas as vantagens, há obstáculos a ultrapassar para a utilização generalizada e economicamente viável do hidrogénio verde», aponta Jonas Beisel, engenheiro de tecnologias têxteis da Monforts. «Até que haja fontes disponíveis desenvolvidas, fiáveis e económicas desta energia limpa, o custo de a produzir irá continuar a ser proibitivo. A infraestrutura ainda não está nessa fase e o hidrogénio tem também a tendência de tornar o aço quebradiço e sujeito a fraturas, algo que exige uma investigação mais aprofundada tanto no seu transporte como na sua utilização no processamento industrial», realça. O potencial de uma energia verde como esta, refere, é «tremendo, mas há muito que precisamos de explorar quando consideramos a sua utilização em processos de acabamento têxtil» como os realizados nos equipamentos produzidos pela Monforts.

Seminários na ITMA

A Monforts vai fazer testes intensivos e ensaios no seu centro tecnológico em Mönchengladbach para avaliar a fiabilidade dos processos e dos produtos finais quando são usadas diferentes misturas de gás natural e hidrogénio, assim como 100% hidrogénio verde. Os resultados serão analisados exaustivamente pelos parceiros de consórcio – que incluem a Pleva e a NTB Nova Textil –, uma vez que nesta fase há ainda muitos parâmetros desconhecidos.

O objetivo final, sublinha Jonas Beisel, é, ao mesmo tempo, reduzir as emissões de CO2 e reduzir a dependência de gás natural, sobretudo após o aumento dos preços e da turbulência vivida no sector no último ano.

Durante a próxima edição da ITMA, a Monforts vai organizar dois seminários, agendados para 9 e 12 de junho, para debater o potencial do hidrogénio verde.