De acordo com o Relatório Anual de 2025 da Global Standard, entidade responsável pela gestão da norma GOTS, Portugal representa 4,8% das 17.800 instalações certificadas, atrás da Índia (27,8%), China (17,3%), Turquia (11,7%), Bangladesh (9,3%), Itália (6,8%) e Alemanha (5,4%).
A Global Standard salienta que a adoção de padrões de sustentabilidade independentes continua a ganhar terreno junto das empresas que procuram gerir riscos, sustentar alegações ambientais e responder a exigências crescentes de transparência.
Segundo Claudia Kersten, diretora executiva da Global Standard, «as normas voluntárias de sustentabilidade estão a ser cada vez mais utilizadas, não apenas para demonstrar intenção, mas para operacionalizar requisitos regulamentares e éticos complexos. Num ano de mudanças regulamentares significativas, o nosso foco tem sido o reforço de sistemas que sejam práticos, transparentes e credíveis para as cadeias de abastecimento têxteis globais».
Entre os marcos do ano destaca-se a avaliação de dever de diligência da OCDE, que concluiu que 98% dos critérios GOTS estão total ou parcialmente alinhados com as suas diretrizes, posicionando a norma entre as mais avançadas já avaliadas. A Global Standard lançou também a primeira consulta pública sobre a Global Responsible Textile Standard (GRTS), uma nova norma que pretende aplicar a mesma abordagem sistémica da GOTS a fibras responsáveis não orgânicas, com lançamento previsto para o outono de 2026.
Tatiana de Beça Teixeira, diretora de estratégia comercial e de marketing da Madalena Beça Knitwear, mencionada no relatório, sublinha que a decisão de «obter e manter a certificação GOTS surgiu do desejo de criar credibilidade, transparência e confiança a longo prazo, tanto na nossa cadeia de abastecimento como junto dos nossos clientes. A implementação das normas GOTS exigiu que analisássemos em profundidade os nossos processos, desde o abastecimento e a rastreabilidade das matérias-primas até à gestão de produtos químicos, documentação e bem-estar dos trabalhadores. Uma das lições mais importantes ao longo do percurso foi que a certificação não é uma conquista pontual, mas um compromisso contínuo com a melhoria, a consistência e a responsabilização».
No plano digital, a ferramenta Global Trace Base reforçou a rastreabilidade e a transparência ao longo das cadeias de aprovisionamento certificadas e o projeto-piloto Space Cotton, que utiliza imagens de satélite e inteligência artificial para mapear o cultivo de algodão orgânico, foi expandido da Índia para a Turquia.
«Com base nesta abordagem orientada para os sistemas, o desenvolvimento do GRTS marca um importante passo seguinte para a Global Standard. Em conjunto com o GOTS, oferece às empresas uma forma mais clara e coerente de gerir a responsabilidade em diferentes fibras, alinhar-se com as expectativas de dever de diligência, reforçar a governação e gerar impacto em cadeias de abastecimento têxteis globais cada vez mais complexas», refere Rahul Bhajekar, diretor executivo da Global Standard.



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