Google muda regras do negócio

A partir do outono, os resultados de busca de produtos para os utilizadores nos Estados Unidos serão influenciados pelo valor pago por retalhistas e anunciantes, segundo revelou um executivo do Google. No passado, os resultados da pesquisa de produtos eram baseados principalmente na relevância e o programa era gratuito. O Google, o mais popular motor de busca na internet, vai mudar o nome do seu serviço de compras para Google Shopping do atual Google Product Search. «Estamos a começar a transição do Google Product Search nos EUA para um modelo puramente comercial», explica Sameer Samat, vice-presidente de gestão de produto no Google Shopping. «Isto dará um maior controlo aos comerciantes, ao nível da localização onde os seus produtos aparecem no Google Shopping», acrescentou. O Google está há cerca de uma década no negócio da listagem de produtos e pesquisa, fornecendo aos comerciantes o acesso gratuito aos compradores. A empresa gerou capital através da publicação de anúncios pagos de busca de produtos, em conjunto com as listas de produtos orgânicos, ou não remunerados, refere Eric Best, CEO da consultora Mercent, especializada no comércio eletrónico. «Hoje, esse modelo desaparece» afirma Best. «É algo muito relevante», sublinha. As mudanças podem vir a ajudar o Google a extrair mais receitas e lucros dos seus anunciantes de retalho, que representam cerca de 40% da sua base de publicidade, de acordo com Best. O Google Product Search fomenta cerca de 650 milhões dólares em vendas anuais nos Estados Unidos e aproximadamente 1,3 mil milhões de dólares ao nível global, segundo estimativas da ChannelAdvisor. No âmbito do novo sistema do Google, os retalhistas poderão ter de gastar um extra de 130 milhões de dólares por ano nos Estados Unidos e 270 milhões dólares a nível mundial, para preencher este buraco de vendas. As mudanças vão entrar em vigor no mês de outubro, o que não dá aos comerciantes muito tempo para se adaptar ao novo sistema antes da crucial temporada natalícia. Para os retalhistas existem prós e contras, afirma Best. «A desvantagem é que os retalhistas vão ter que pagar pelo desempenho no que se refere ao tráfego e receita de comércio eletrónico fomentados pelo ou através do Google», indica. «O tráfego gratuito está a desaparecer». As alterações podem ser controversas na comunidade da Internet, pois os resultados de pesquisa do Google não têm tradicionalmente sido influenciados por dinheiro, refere Best. «O facto dos resultados comerciais estarem mais estreitamente ligados ao valor da localização não vai parecer bem a todos os anunciantes», acrescenta. O novo programa poderá ajudar os retalhistas a tornarem os seus produtos mais visíveis para os clientes que pesquisam no Google, estimulando-os a manter a informação e os produtos atualizados para os consumidores. O sistema antigo era difícil para o Google porque os retalhistas podiam listar uma grande quantidade de produtos gratuitamente. Se eles tiverem de pagar, poderá reduzir a confusão, acredita Best. A Amazon e a eBay vão provavelmente ser afetadas pelas mudanças do Google, porque os gigantes do comércio eletrónico recebem atualmente muito tráfego grátis do Google Product Search. No futuro, terão de pagar por este tráfego, refere Scot Wingo, CEO da ChannelAdvisor. No entanto, alguns comerciantes poderão decidir listar mais produtos para venda na Amazon e no eBay, o que poderá ser um benefício para as duas empresas, conclui.