Global Fashion Agenda pede mais ação

À medida que passam das palavras aos atos, as empresas, marcas e retalhistas de moda devem medir com precisão os seus progressos na sustentabilidade, apela a organização na segunda edição do relatório GFA Monitor.

[©Pixabay-Karl Egger]

A edição deste ano do GFA Monitor – que tem como objetivo orientar os responsáveis da moda em direção a uma indústria positiva em termos climáticos, com a apresentação da visão de especialistas e ações claras para emissões zero de carbono e melhores práticas – revela as conclusões da Fashion Industry Target Consultation (FITC), lançada pela Global Fashion Agenda (GFA) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente em novembro de 2022.

No geral, os dados do FITC revelaram que a maioria dos 900 participantes apoiaram o alinhamento da indústria nas 27 áreas de ação propostas na consulta e observaram que estão ativamente envolvidos com a indústria para impulsionar o progresso nas respetivas áreas.

As maiores reivindicações de definição de metas estavam relacionadas com a descarbonização e a redução de emissões de gases com efeito de estufa (88% marcas/89% produtores) e eliminação de produtos químicos perigosos (86% marcas/100% produtores).

O menor número de metas relatadas a serem definidas para eliminar a poluição por microfibras (36% marcas/63% produtores) também se refletiu na percentagem daqueles que medem e relatam o progresso (33% marcas/63% produtores.

No que respeita aos materiais, um número significativamente elevado de entrevistados (96% marcas/100% produtores) declarou ter estabelecido metas para produzir e obter matérias-primas de baixo impacto climático. As marcas estão a definir a maior parte das suas metas de materiais preferidos no algodão (92%), enquanto no caso dos produtores, é o poliéster que está em destaque (90%).

«O tempo para evitar os piores impactos climáticos está a diminuir rapidamente. As soluções devem ser implementadas e colocadas em ação mais rapidamente. Atualmente, persistem lacunas significativas entre a ambição e as ações concretas na abordagem das prioridades sociais e ambientais», sublinha Federica Marchionni, CEO da Global Fashion Agenda.

«Na frente climática, o mais recente relatório do IPCC [Intergovernmental Panel on Climate Change] deu um alerta final ao mundo para limitar os aumentos da temperatura global em linha com o Acordo de Paris de 2015 e fazer a transição para emissões líquidas zero ou quase nulas. A menos que sejam feitas mudanças significativas na forma como obtemos e consumimos energia, especialmente nas regiões de produção, a indústria ficará aquém das metas de descarbonização necessárias para se alinhar com a trajetória de 1,5 °C», acrescenta.

Ao nível da responsabilidade social, 88% das marcas inquiridas afirmou ter estabelecido metas para a adoção de práticas de compra responsáveis ​​– mas apenas 63% das marcas indicaram estar a medir o progresso em relação a essas metas definidas. 100% das marcas e produtores expressaram unanimemente apoio ao alinhamento nesta área de ação e ao envolvimento com a indústria para impulsionar coletivamente o progresso.

O menor número de marcas (58%) revelou ter estabelecido metas sobre o acesso dos trabalhadores a mecanismos eficazes de reclamação, enquanto os produtores relataram a sua pontuação mais baixa na transparência da cadeia de valor (75%)

Em termos salariais, a maior percentagem de marcas e produtores (86%) afirma ter estabelecido metas para implementar uma remuneração justa e um salário digno em toda a cadeia de valor têxtil. No entanto, a percentagem mais baixa de marcas e produtores está a estabelecer metas em matéria de liberdade de associação ou de negociação coletiva (33% marcas/ 67% produtores) e a reduzir as disparidades salariais entre homens e mulheres (33% marcas/86% produtores) – ambos fatores essenciais para alcançar uma compensação justa e um salário digno, destaca a GFA.

Medidas práticas

Para alcançar uma indústria positiva em termos líquidos, é imperativo, segundo a organização, que a moda passe da ambição para a tomada de medidas holísticas que sejam inclusivas e equitativas, garantindo que o ambiente neutro seja restaurado e que ninguém seja deixado para trás.

A GFA aponta medidas para a transição da indústria para práticas circulares, incluindo usar apenas fibras e materiais de fontes certificadas, reforçar o design circular, eliminar o desperdício e acabar com o excesso de produção, desenvolver estratégias para reduzir o excedente de stocks, envolver os fornecedores e toda a cadeia de aprovisionamento, mapear os fluxos de resíduos e melhorar a formação em áreas como a tecnologia.

O GFA Monitor foi publicado numa altura em que se está a debater as questões climáticas na COP28, com a GFA a organizar uma sessão no evento no próximo dia 5 de dezembro para «garantir que a moda seja incluída nas conversas e decisões cruciais destinadas a acelerar a ação climática».

Para Federica Marchionni, «a segunda edição do GFA Monitor reafirma o poder das alianças para acelerar a ação. Numa época de turbulência socioeconómica e geopolítica, os executivos precisam mais do que nunca de orientações claras para garantir que as medidas de sustentabilidade possam continuar a avançar. Ao trabalhar coletivamente com diversas organizações do sector, fomos capazes de destacar as etapas necessárias, reunir uma grande variedade de soluções promissoras e orientar as partes interessadas da moda na sua jornada».