Gerir o ciclo de vida do vestuário

Fornecer uma colecção de vestuário de moda respeitando prazos e orçamentos é um desafio cada vez maior. Com a produção e o fornecimento do produto final cada vez mais enquadrados num ambiente internacional complexo, estes processos podem tornar-se num pesadelo logístico. Mas a ajuda está disponível sob a forma de software para a gestão do ciclo de vida do produto (do original "product lifecycle management", ou PLM). Este programa informático permite coordenar os fluxos de informação do produto, tornando mais fácil antecipar as necessidades dos consumidores por parte de retalhistas e marcas.Quais são os principais desafios que a indústria de vestuário de moda enfrenta hoje em dia? Como podem as empresas controlar o ciclo de desenvolvimento do produto quando a produção está espalhada por todo o mundo? Qual é a melhor forma para as empresas comunicarem quando realizam negócios do outro lado do oceano? Apesar do consenso generalizado ser de que o sector de vestuário mundial enfrenta um relevante desafio, todas estas questões devem ser respondidas e ultrapassadas para que os produtores e os retalhistas permaneçam competitivos, algo que é bastante mais fácil de dizer do que concretizar.De acordo com Steven Hochman, director de investigação na AMR Research, o risco da moda é caracterizado pela proliferação de novos estilos, aumento da concorrência global, maior pressão dos preços, consolidação dos retalhistas, queda na lealdade às marcas por parte dos consumidores voláteis e a fragmentação da informação. No entanto, Hochman refere que a mentalidade das empresas não se tem modificado, sendo as negociações com fornecedores focalizadas em aspectos como a redução de custos, sem equacionar outras questões como a redução dos prazos de entrega e dos ciclos de produção, na medida em que estes não estão mensurados.Até mesmo a China, considerada como a fábrica do mundo, está a enfrentar novos desafios desde a abolição das quotas alfandegárias há dois anos atrás. De acordo com o referido por um responsável do centro de informação têxtil da China (organização que fornece serviços de ERP para os produtores de têxteis chineses, assim como algum trabalho de desenvolvimento), as empresas não estão apenas a desenvolver as suas competências de design para oferecer, aos consumidores, ideias inovadoras, estão também a consolidar os seus processos de resposta rápida e a desenvolver cadeias de fornecimento eficazes fora da China, de forma a reagir às mudanças de tendências e aos requisitos dos consumidores.Perspectivas do mercado da modaAo nível da empresa, os produtores enfrentam, hoje em dia, uma forte pressão para produzir mais, mais rapidamente e de forma mais económica. Eles estão atulhados de ofertas para menores prazos de entrega, desenvolvimento do produto mais rápido e mais rápida mudança de mercadorias.Existe também uma transição no poder, à medida que os retalhistas estão a ganhar cada vez mais o controlo do sector. Eles não estão apenas a orientar o ritmo da moda insistindo nas mudanças mais rápidas de mercadorias, como também se estão a movimentar para montante e a desenvolverem as suas próprias marcas de vestuário. Por outro lado, os produtores estão cada vez mais a deslocar-se para jusante e a lançar as suas próprias iniciativas no retalho, recorrendo para o efeito à Internet.Variáveis em conflitoUm dos principais problemas é que os principais vectores da indústria de vestuário de moda de hoje em dia – nomeadamente: redução do tempo de ciclo; globalização (rede de fornecimento mundial cada vez mais complexa e fragmentada) e a luta pelo lucro e margens mais elevadas – são também variáveis em conflito. De acordo com a explicação de Steven Hochman, uma das principais lacunas para as empresas que tentam reduzir os tempos de ciclo e aumentar o valor é a falta de dados de base.De que forma se traduz o tempo de ciclo em valor para o accionista? Hochman aponta o exemplo da Zara, cujo desenvolvimento demora apenas três semanas desde a concepção até chegar à prateleira da loja, o que é extremamente rápido quando comparado com a média de 11 meses do resto da indústria. De acordo com Robert Zane, director da USA-ITA e antigo responsável pelo aprovisionamento da Liz Claiborne, e Warren Hausman da Stanford University, os elementos mais caros do excessivo tempo para colocação do produto no mercado nem sequer aparecem nas fichas de custos: os custos das rebaixas e as rupturas de stock.As estimativas dos custos das rebaixas e das rupturas de stock variam de forma significativa, com alguns comentadores a colocarem-nos a 30 por cento das vendas de retalho, mas na Zara estes ficam apenas nos 15 por cento.Talvez não seja surpreendente que exista uma solução de software para coordenar o fluxo de informação numa colecção, desde o design, apoiando os retalhistas e as marcas a criar e antecipar a procura dos consumidores. O software de ciclo de vida do produto fornece uma fonte única de dados que liga processos como: design, lista de materiais, custos, fluxos de trabalho e tecnologia através de um acesso selectivo que dá segurança a todos os parceiros no processo de fornecimento e desenvolvimento. Os utilizadores podem gerir o calendário de ocorrências, automatizar tarefas e acompanhar o estado das actividades desde a fase de design.Isto traduz-se numa redução do tempo de ciclo com ciclos de feedback em tempo real entre o design e o desenvolvimento. Da mesma forma, a produção tem a flexibilidade de seleccionar fornecedores alternativos, por exemplo, para que os processos possam ser concretizados em simultâneo. O software permite o rápido design e desenvolvimento, mas também facilita o aprovisionamento internacional e permite a múltiplas organizações perceberem exactamente onde se encontram ao longo da linha de tempo.E quanto mais próximas são as ligações ao longo da cadeia de fornecimento, mais fácil se torna para uma organização tomar decisões acertadas sobre sortimentos de mercadorias, acrescentar valor, reduzir prazos de entrega, diminuir tempos de ciclo e reduzir quebras de stock.