Geração Benfica

Em 2003, a Babex foi apanhada na teia do futebol pelo clube espanhol Celta de Vigo, para o qual desenvolveu uma linha de roupa para bebé. «Na altura, iniciamos a abordagem junto de clubes nacionais, com a ideia de que era um negócio somente acessível às grandes marcas, mas com a determinação habitual que colocamos nos nossos negócios», conta a administradora da empresa, Maria da Guia Fernandes. «Dois anos depois, esse esforço foi recompensado já que a Babex acaba de obter o acordo de licenciamento para a produção e comercialização do vestuário de bebé e criança do Benfica». A licença mundial para a produção e comercialização foi concretizada no passado mês de Outubro, válida por 2 anos, e Maria da Guia Fernandes ainda não se refez da boa nova, embora como especialista na área financeira mostre a natural apreensão de quem investe num novo negócio na conjuntura actual. «Estamos já a preparar a primeira encomenda para as lojas do Benfica», anuncia entusiasticamente. A linha de vestuário inclui exteriores e interiores, tudo criações da Babex, sempre estampados com o logótipo “Geração Benfica”, e destinados a crianças dos 0 até aos 10 anos. «Os artigos estarão à venda nas mais de 100 lojas do clube, mas não há uma exclusividade de distribuição», assegura Maria da Guia. No entanto, para jogar nesta primeira liga há que ser rápido e flexível, mas estas são qualidades intrínsecas à própria Babex, e indispensáveis para quem quer existir no mercado têxtil europeu actual. «O mercado está saturado. Por isso, temos que investir em nichos de mercado», explica a administradora da Babex. «Em suma, estamos a procurar demarcar-nos da feroz concorrência dos países asiáticos, sustentada no baixo preço». Especialista em roupa infantil e juvenil (dos 0 aos 16 anos), desenvolvendo colecções para conceituadas marcas nacionais e internacionais, a Babex tem todavia vindo a apostar cada vez mais na sua marca própria Abobrinha, que representa já 20% do seu volume de vendas. «Nos últimos dois anos procurámos desenvolver uma estratégia mais agressiva no mercado nacional. E, neste momento, estamos a trabalhar intensamente o mercado espanhol», declara. Aliás, tem sido através da sua participação na FIMI, a feira de Valência de moda infantil, onde integra o grupo de empresas apoiado pela ANIVEC/APIV (ver notícia no PT), que a Abobrinha tem conquistado nuestros hermanos com a sua moda plena de cor e estilo em tamanho pequeno. «Foi nesta feira que angariámos agentes para cobrir a Espanha», revela. Em Fevereiro, a marca regressa aos palcos internacionais, desta vez da CIFF Kids, no âmbito da primeira Mostra de Portugal levada a cabo também pela ANIVEC, para no mês seguinte regressar desta feita ao palco do Modtíssimo, tal como revela em primeira mão ao Portugal Têxtil. «As feiras são o melhor local de promoção dos nossos produtos», afirma a administradora da Babex. «Em particular, a participação na CIFF Kids pretende ser uma primeira abordagem ao mercado nórdico, para o qual temos desenvolvido esforços particulares no sentido de adaptar os nossos produtos às características inerentes deste mercado – materiais mais quentes, tonalidades mais sóbrias,…». O design é, sem sombra de dúvida, a aposta forte da Abobrinha, onde se denota em cada colecção um grande trabalho de pesquisa em termos de tendências de moda e de materiais inovadores e amigos do ambiente. «Estamos constantemente à procura de novidades, não só em termos de desenhos e cores mas também ao nível das matérias-primas, das tecnologias e dos processos, promovendo a inovação e a ecologia, ambos fundamentais tendo em conta o nosso público-alvo», explica. Nos planos futuros, Maria da Guia considera que «as lojas próprias serão uma sequência natural, que nos tornarão menos dependentes de terceiros». Mas a empresa tem já experiência no retalho, pois possui uma loja de fábrica e uma bem sucedida parceria com um retalhista moçambicano que dispõe de 2 lojas recriando o universo “Abobrinha”. «Consideramos os mercados dos PALOP bastante interessantes para o nosso conceito de marca», sustenta. A imagem e a comunicação são também apostas chave não só da marca, mas da própria empresa, pelo que a administradora da Babex considera prioritária uma renovação do seu website que potencie a comunicação da empresa e a imagem das suas marcas de forma coerente com outros suportes. Afinal a Internet, tornou-se a ferramenta comunicacional base das empresas do século XXI. Criada em 1985, a empresa especialista em moda infantil e juvenil dispõe actualmente de um efectivo de 60 pessoas, essencialmente concentradas nas áreas criativa, administrativa, comercial e de marketing, já que a produção é maioritariamente subcontratada no mercado nacional. Em 2005, o volume de negócios da Babex cifrou-se em 3 milhões de euros. Segundo a sua administradora, não há «uma estratégia planeada para aumentar a facturação, mas sim para estabilizar as margens, através de uma maior aposta na nossa marca própria». Mas, para já, a sua prioridade mais imediata é a conclusão do processo de certificação ISO 9001: 2000, para a gestão da qualidade.