G-Star usa algodão de estufa para fazer jeans

A marca neerlandesa, em parceria com investigadores da Universidade de Wageningen, desenvolveu um par de calças inteiramente produzido com algodão cultivado em estufa e made in Netherlands.

[©Wageningen University & Research]

A investigação levada a cabo durante seis meses na unidade de Horticultura de Estufa da Universidade de Wageningen, em Bleiswijk, focou-se na qualidade, rendimento e propriedades das fibras de algodão cultivado em estufa. Os resultados mostraram uma produção de cinco a 23 vezes superior à tradicional, com uma redução de 95% no uso de água graças à reutilização de água da chuva. Adicionalmente, não foram utilizados pesticidas químicos, explica, numa notícia publicada no website da universidade, o investigador Filip van Noort.

O algodão, conhecido por requerer grandes quantidades de espaço agrícola e água (até 10.000 litros para produzir 1 quilo), beneficia significativamente das condições controladas de uma estufa. A estufa permitiu que as plantas crescessem mais do triplo em comparação com o cultivo tradicional e resultou numa rentabilidade 2.300% superior. Além disso, as condições ambientais controladas reduziram a necessidade de pesticidas e possibilitaram um crescimento mais eficiente e sustentável.

[©Wageningen University & Research]
Apesar dos resultados promissores, o cultivo de algodão em estufa enfrenta ainda desafios significativos. Os custos iniciais de produção são elevados, tornando a viabilidade económica ainda um obstáculo. Melhorias e escalabilidade são necessárias para tornar o denim made in Neetherlands numa realidade económica viável.

«Ainda que o algodão de estufa não substitua rapidamente o cultivo convencional, existe potencial para um mercado de nicho para produtos sustentáveis», acredita Filip Van Noort. A crescente procura por vestuário produzido de forma ética e sustentável pode estimular o mercado para o algodão de estufa, especialmente entre consumidores preocupados com a sustentabilidade e transparência da cadeia de produção.

Além disso, este tipo de projeto pode oferecer lições valiosas para o cultivo tradicional de algodão ao ar livre. «Ao experimentar métodos de cultivo novos e mais sustentáveis ​​em estufas, os investigadores e produtores obtêm novos conhecimentos que podem ser aplicados para melhorar a sustentabilidade e a eficiência globais do cultivo do algodão, tanto nos Países Baixos como em todo o mundo», aponta o investigador.

Produção local

Rebecka Sancho, diretora de sustentabilidade da G-Star, salienta, em declarações à Fast Company, que «a rastreabilidade é o primeiro passo para a sustentabilidade», uma preocupação crescente com a implementação de novas regulamentações na União Europeia. Cultivar algodão localmente em estufas não só reduz as emissões de carbono associadas ao transporte, mas também facilita a rastreabilidade, respondendo a estas novas exigências.

[©Wageningen University & Research]
O projeto piloto resultou na produção de cinco pares de jeans, feitos inteiramente nos Países Baixos. A G-Star Raw colaborou com vários fornecedores locais para descaroçar algodão cultivado em estufa, fiar, tecer, tingir e costurar os jeans. «Ficamos extremamente contentes com os resultados», afirma Willeke Hendrick, diretora de produto da G-Star. «Fez-nos perceber que há muito potencial», acrescenta, em declarações à Fast Company.

A G-Star e a Universidade de Wageningen continuarão a parceria, focando-se em lotes maiores de algodão de estufa. O objetivo é inspirar outras empresas de moda a considerar o uso de estufas como uma ferramenta para reduzir a pegada ambiental. «Será necessário muita colaboração na indústria para que isto avance», considera Willeke Hendriks.

O projeto é, segundo a marca neerlandesa, uma mostra de que a indústria da moda ainda está nas fases iniciais na procura por soluções sustentáveis. A agricultura regenerativa e os sistemas de reciclagem estão apenas a começar. «À primeira vista, o algodão cultivado em estufa não parecia uma solução realista», salienta Rebecka Sancho. «Mas esta experiência tem sido muito encorajadora e acreditamos que, um dia, poderá ser feito a grande escala», conclui.