Futuro adiado

O Tribunal do Comércio de Paris voltou a adiar a decisão sobre o futuro da Christian Lacroix. Depois de um adiamento para o dia 17 de Novembro, devido a «atrasos nos procedimentos», como tinha informado Marie-Laure Bonaldi-Nut, advogada do gabinete François&Associes, que representa o cheikh do emirato de Ajman, candidato à compra da casa de moda, o tribunal voltou a adiar a decisão, desta vez para 1 de Dezembro. Segundo as declarações do administrador judicial da casa de moda, Regis Valliot, à Reuters, o motivo do adiamento prende-se com o facto dos principais potenciais compradores da marca, o cheikh Hassan bin Ali al-Nuaimi e os franceses do Bernard Krief Consulting (BKC), «não terem conseguido mostrar a documentação que certifique que os fundos necessários para a aquisição estão disponíveis». A decisão fica agora pendente até 1 de Dezembro e, prosseguiu Regis Valliot, se os candidatos não conseguirem mostrar os documentos necessários, o plano de reestruturação submetido pela família Falic, proprietária da Christian Lacroix, será implementado. Propriedade desde 2005 do grupo americano Falic, especializado no duty free, a casa Christian Lacroix registou no ano passado 10 milhões de euros em prejuízo para um volume de negócios de 30 milhões de euros. Actualmente conta com 105 assalariados e três boutiques, duas em Paris e uma em Nova Iorque. A oferta do cheikh Hassan ben Ali al-Naimi, sobrinho do soberano do emirato de Ajman, membro da federação dos Emiratos árabes Unidos, prevê um orçamento total de 100 milhões de euros para colmatar o passivo, os prejuízos esperados no relançamento da marca e o seu desenvolvimento, explicaram Valliot e Diane François, advogada do gabinete François&Associes, que representa o cheikh, à AFP. De acordo com Christian Lacroix, o projecto do cheikh, ao qual está associado, desenvolverá actividades à volta da alta-costura e do pronto-a-vestir feminino de luxo, procurando «um tronco comum onde a costura se juntará ao design», mas «ainda falta definir o projecto mais concretamente», explicou o criador francês. O cheikh está já envolvido, segundo Lacroix, no luxo através das department stores nova-iorquinas Saks e Barneys. Em entrevista à Reuters em meados de Outubro, Hassan ben Ali al-Nouaimi, revelou as suas intenções para a casa de moda: «a ideia não é concentrar-nos na alta-costura só por si. Evocamos diversas actividades na área dos tempos livres: jactos privados, hotéis, iates, residências de grande luxo, decoração de interiores. Iremos concentramo-nos nestes domínios particularmente exclusivos porque não queremos acabar com esta marca», referiu. Nestes últimos anos, Christian Lacroix já enveredou nesta área, tendo desenhado, nomeadamente, para os eléctricos de Montpellier, o TGV-Est e hotéis. A oferta do cheikh era considerada até bem recentemente a mais séria pelo administrador judicial da casa de moda. «Quando estamos no deserto, as miragens aparecem e desaparecem depressa. Tenho a impressão que é o que se vai passar», afirmou Simon Tahar, advogado da Christian Lacroix. A BKC, contudo, não disse ainda a sua última palavra. é «muito provável» que o cheikh apresente provas de acordo «com a sua oferta e os financiamentos que indicou», admitiu o CEO da BCK, Louis Petiet. Mas «se não for esse o caso, há uma oferta francesa para fazer um líder mundial do luxo topo de gama». Na «oferta global» da BKC, a Financière comprará a marca e a exploração da maior parte das licenças e a BKC assegurará o desenvolvimento da alta-costura e do pronto-a-vestir de luxo. Os efectivos poderão «passar de 105 para 300 pessoas» em cinco anos e o número de boutiques Christian Lacroix ascender a 200 através «de joint-ventures em grandes países emergentes», afirmou Petiet, que revelou ter fornecido recentemente «detalhes complementares» no que respeita à sua oferta. Christian Lacroix, por seu lado, mantém-se prudente. «Não estamos ainda livres de uma má surpresa», referiu. Mas, segundo afirma, uma coisa é certa: se a oferta do emirato for escolhida, a casa, em stand-by desde o desfile de alta-costura em Julho, retomará as suas actividades «de imediato».