Furla “rouba” clientes

A marca italiana de carteiras de luxo Furla conseguiu conquistar clientes das marcas topo de gama, num claro sinal de que as empresas de “luxo acessível” estão a enfrentar melhor o abrandamento económico do que a maioria. A empresa familiar dirige a sua produção para mulheres jovens e profissionais, oferecendo carteiras em pele trendy a preços considerados relativamente acessíveis – em média entre os 250 e os 400 euros. «Estamos a conquistar muitos clientes que abandonam marcas mais caras», revelou Giovanna Furlanetto em entrevista à Reuters. «As consumidoras estão a retrair-se. Por isso, quando encontram um produto com boa qualidade e uma marca conhecida estão dispostas a deixar as marcas mais caras que compravam até agora». Os concorrentes desceram os preços para atrair clientes mas a Furla fez o oposto, focando-se em produtos mais caros para aumentar as margens, atraindo clientes que normalmente compravam marcas mais caras. Deste modo, a Furla espera registar um aumento das vendas e dos lucros em 2008, apesar de sofrer um abrandamento em relação aos anos anteriores, segundo Furlanetto. Fazendo eco de outros retalhistas italianos, também as vendas da Furla melhoraram depois do Natal. Em 2007, a marca italiana, que concorre com empresas como a americana Coach e marca Coccinelle da Antichi Pelletieri, registou vendas de 150 milhões de euros. A empresa, que recentemente se expandiu com linhas de carteiras para homem e sapatos para senhora, mantém-se prudente nos investimentos realizados no primeiro semestre do ano. Embora mantenha os planos de expansão – que incluem a entrada no mercado indiano, onde planeia abrir a sua primeira loja este ano –, no geral está a focar-se em remodelar lojas em vez de abrir novas, de acordo com Furlanetto. «é uma fase de reflexão, em parte devido à situação económica, para fortalecermos no retalho, centrando-nos em tornar as lojas maiores e mais bonitas», explicou. «é um momento de consolidação em vez de expansão agressiva». Apesar disso, Londres conheceu recentemente uma nova loja da marca, em Regent Street, e a Europa passou a poder comprar artigos Furla on-line. «O comércio electrónico representa para a marca um precioso canal de vendas suplementar e, graças à Internet, é uma oportunidade de responder a uma clientela potencial que reside em locais ainda não cobertos pela actual rede de distribuição, sobretudo em países como a França, Inglaterra, Alemanha e Espanha, que representam para a Furla importantes mercados. A venda on-line chegará a nível internacional ao longo de 2009», revelou. A empresa criada em 1927 e sedeada em Bolonha apoia-se numa rede de distribuição que abrange 1.200 lojas – incluindo 300 lojas sob a marca Furla. Sendo uma das muitas marcas italianas consideradas candidatas para uma oferta pública inicial (IPO) ou como alvo de investimento por parte de uma empresa de private equity antes do tumulto nos mercados financeiros, Furlanetto afirma, com efeito, que a Furla recusou diversas ofertas para se manter como um negócio familiar. «Tivemos de tudo e mais alguma coisa – a possibilidade de uma IPO, fundos que queriam investir na empresa, grandes marcas que nos queriam comprar. Resistimos a muitos “cantos da sereia”», concluiu.