França debate taxa de €5 sobre compras de fast fashion

Nos próximos meses, o parlamento francês deverá discutir a introdução de uma taxa aplicável às compras de fast fashion. A Shein argumenta que tal só irá reduzir o poder de compra dos franceses e não resolver o problema do impacto ambiental da moda.

[©Shein]

Antoine Vermorel-Marques, deputado do partido conservador Les Républicains, está a propor a aplicação de uma taxa de cinco euros sobre cada compra de fast fashion com o objetivo de combater as marcas que comercializam este tipo de artigo e proteger o ambiente e a indústria têxtil francesa.

A lei deverá ser debatida no parlamento nos próximos meses e pretende proteger uma indústria local que tem sido muito penalizada pelo crescimento do consumo de fast fashion no país. Um dos principais alvos da lei, aponta a France 24, é a retalhista online Shein que, segundo Antoine Vermorel-Marques, está «a destruir a indústria têxtil de França».

As cadeias de fast fashion, como a Shein, a Temu e a Boohoo, têm encontrado uma forte procura por parte dos consumidores, que raramente têm de gastar mais de 10 euros para comprar as mais recentes tendências de moda em saias, camisolas, calças ou acessórios.

«Em França, há uma diferença entre as nossas convicções, a consciência de que temos de fazer um esforço e a aceitação de medidas para combater estas questões», considera, citada pela France 24, Cécile Désaunay, diretora de estudos na Futuribles, uma empresa de consultoria que analisa as tendências transformadoras ao nível da sociedade, do consumo e do estilo de vida.

Para ela, esta taxa de 5 euros é particularmente sensível «porque toca no que é considerada a liberdade para consumir». Contudo, enfatiza que a lei não está estruturada apenas para punir, mas também recompensar e, como tal, poderia funcionar como um sistema de bónus-penalização que contribuiria para tornar a moda sustentável mais acessível para todos.

Antoine Vermorel-Marques [©Antoine Vermorel-Marques Facebook]
Numa entrevista publicada na Usbek&Rica, Antoine Vermorel-Marques sublinha esse aspeto.

«A ideia é simples: se comprar uma t-shirt online de uma marca ultra-fast fashion, tem uma penalização de cinco euros no máximo por artigo. Pelo contrário, se comprar uma t-shirt que respeita o ambiente, produzida em França ou na Europa, tem um bónus de cinco euros no máximo. A chave é que não se trata de uma taxa suplementar. Não queremos ganhar dinheiro. Queremos apenas dizer: “se polui, paga. Se não polui, ganha”. Como tal, é bom tanto para o consumidor como para o planeta», acredita.

Shein contra legislação

O Just Style contactou a Shein sobre este tema e um porta-voz da empresa refutou a alegação de que a retalhista está a alimentar a cultura de descarte, argumentando que «o modelo de negócio por encomenda responde ao problema fundamental da diferença entre a oferta e a procura do modelo tradicional da indústria da moda» e permite reduzir os resíduos desnecessários, assim como oferecer valor por dinheiro a consumidores que querem moda acessível.

«Acreditamos que a lei, na sua forma atual, não responde ao impacto ambiental da moda, mas pode afetar o poder de compra dos consumidores franceses, e tivemos um diálogo construtivo com os legisladores no início desta semana. Partilhamos o interesse deles em promover uma cadeia de aprovisionamento responsável e em proteger o ambiente e acreditamos que isso exige esforços coletivos de todos os stakeholders da indústria da moda».