França audita fornecedores dos países de baixo custo

A “Les 3 Suisses” e a Leroy Merlin acabam de aderir à “Iniciativa Cláusula Social” (ICS), lançada em 1998 sob a égide da Federação das Empresas do Comércio e da Distribuição. O grupo inclui actualmente 13 outras insígnias francesas: Jules, Mulliez, Auchan, Okaidi, Monoprix, Carrefour, Cora, Leclerc, Casino, Système U, Pinualt-Printemps-Redoute, Camif e Galeries Lafayette. O objectivo da ICS é verificar a aplicação das recomendações da Organização Internacional do Trabalho (OIT) nos fornecedores dos países em desenvolvimento, junto dos quais estes grandes distribuidores se abastecem directamente. Esta iniciativa colectiva obriga a verificar no local, com auditores originários do país e formados nas ferramentas necessárias, a realidade das condições de trabalho nas unidades de produção, e a adoptar um mesmo referencial. «Dispúnhamos de cláusulas sociais na nossa carta, mas não tínhamos auditorias formalizadas, como sucede actualmente depois da adesão à ICS», sublinha um porta-voz da “Les 3 Suisses”. «Agora comprometemo-nos a realizar um certo número de auditorias». Outras insígnias do grupo, como por exemplo a Leroy Merlin, levavam já a cabo internamente esta operação, tendo já realizado diversas auditorias. Em 2004 e 2005 foram efectuadas cerca de 1.250 auditorias em 25 países. As mais visadas foram as zonas de produção mais importantes, como a Índia, para têxtil e bazar, que foi objecto de 160 auditorias; o Bangladesh, para os têxteis e calçado, com 205; e a China, nos mais variados sectores de produção, desde a marroquinaria até ao mobiliário, passando pelos têxteis e sistemas hi-fi, com 674 auditorias realizadas. A maior parte destas auditorias demonstram que os fornecedores progridem em numerosos pontos, ainda que certos critérios, como o trabalho infantil, «sejam difíceis de serem respeitados», revela Bruno Colombani, responsável da ética social do Casino. Cerca de 85% das fábricas auditadas no Bangladesh estão em conformidade com o capítulo «trabalho infantil e jovens trabalhadores», mas há ainda esforços a fazer em termos de horas de trabalho, salários e higiene e segurança. Na China, os problemas de remuneração (pagamentos das horas extraordinárias, prémios por trabalho nocturno e cotizações sociais), muito díspares segundo as regiões, permanecem relevantes e dizem respeito a 75% das auditorias iniciais e 71% das auditorias de seguimento. Na Índia, embora a maior parte das empresas esteja conformes aos critérios «liberdade de associação» e «não descriminação», o capítulo «trabalho infantil e jovens trabalhadores» continua problemático. O objectivo da ICS é prosseguir estas acções com o apoio de parceiros locais (associações, sindicatos, poderes públicos, etc.) e desenvolver uma iniciativa europeia para que aja convergência com as acções empreendidas por outras organizações de natureza similar, tais como a ETI (na Inglaterra) e a BSCI (na Alemanha).