Fortunas diferentes

Após meses de angústia no consumo até ao período do Natal, as cadeias de retalho no Reino Unido arriscaram em Dezembro, com mais promoções e com reduções mais cedo do que nunca. Registou-se um abrandamento das vendas até ao Natal, com muitos consumidores a fechar os cordões às bolsas devido às notícias de aumento das taxas de juro e da crise do crédito no principal banco de empréstimos, o Northern Rock. No entanto, na altura do Natal, as cadeias estavam jÁ a contar que o ambiente no retalho pudesse piorar ainda mais nos próximos 12 meses, e prepararam-se para a batalha usando palavras como cautela», abrandamento», comércio difícil» e vendas fracas» nas suas previsões. No final houve sortes diferentes, com empresas como a House of Fraser e John David a colocarem os “polegares para cima” enquanto que outros, como a M&S e a JJB, mantiveram a prudência. O British Retail Consortium (BRC) revelou que este foi o pior Natal para os comerciantes nos últimos três anos, particularmente para as empresas de vestuÁrio e calçado. O BRC, que fornece dados seguros para a high street do Reino Unido, declarou também que o facto do Banco de Inglaterra não ter baixado as taxas de juro estava a afectar directamente os negócios dirigidos aos consumidores. Apesar disso, os sinais dados no início do mês foram positivos, e a House of Fraser foi das primeiras a revelar que os lucros brutos, resultantes das cinco semanas do período de Natal, foram superiores aos do ano passado, com as vendas a subirem 2,4%. De igual forma, o retalhista on-line de moda ética Adili, lançado em Setembro de 2006, revelou que as vendas das quatro semanas anteriores a 21 de Dezembro subiram 388% em relação ao mesmo período de 2006. Contudo, a M&S revelou que os resultados do terceiro trimestre desceram 2,2% devido às fracas vendas de vestuÁrio. As acções da empresa baixaram 20% quando a empresa alertou para a possibilidade das difíceis condições de negócio se manterem em 2008. Segundo o retalhista, este abrandamento foi mais marcado nos produtos gerais, que incluem vestuÁrio e calçado, com as vendas comparÁveis a descerem 3,2%. As vendas gerais do grupo aumentaram 2,8% no trimestre, com as vendas no Reino Unido a aumentar 2%. Contudo, as vendas desceram 0,7%, com uma quebra de 1,2% na procura de vestuÁrio a contrabalançar um aumento de 3,2% nas vendas de artigos para casa. O optimismo voltou a surgir com o retalhista de vestuÁrio de desporto e tempos livres John David Group a rever em alta as previsões para o ano fiscal após ter tido um período de Natal melhor do que o esperado. As suas vendas comparÁveis do período de oito semanas de Natal até 5 de Janeiro aumentaram 9,3% e a margem bruta do grupo cresceu no primeiro semestre em relação aos valores do ano anterior. JÁ a meio do mês, dois dos mais importantes players do sector – JJB Sports e Ted Baker – divulgaram a relativa generosidade dos seus clientes no Natal. A JJB lançou uma previsão cautelosa para 2008 tendo sugerido que os lucros do segundo semestre caíram apesar de um aumento de 1,2% nos resultados. Crucialmente, a operadora de bens de desporto declarou margens brutas mais baixas no Natal, quando reduziu os preços de produtos de estações anteriores para ter espaço para as novas colecções. A cadeia de design de moda Ted Baker, entretanto, revelou que as margens estiveram de acordo com as expectativas e que as vendas aumentaram 12,5% nas oito semanas até ao Natal. O BRC revelou ainda que as vendas de retalho no Reino Unido aumentaram 0,3% em Dezembro, embora as vendas de vestuÁrio e de calçado tenham diminuído. Isto em comparação com o aumento de 2,5% no mesmo mês do ano passado, com o consórcio a afirmar que o crescimento foi o mais fraco desde o declínio em Março de 2006. Kevin Hawkins, director-geral do BRC, revelou que este resultado é de alguma forma pior do que o esperado e aponta para um primeiro semestre de 2008 muito desafiante». Helen Dickinson, directora do retalho da KPMG acrescenta também que as vendas cresceram em Dezembro mas, tal como a pior performance em Março de 2006, o crescimento só pode ser descrito como fraco. Até ao Natal houve muito movimento, mas os compradores mudaram o padrão de consumo. As vendas de vestuÁrio e de calçado caíram em Dezembro pelo terceiro mês consecutivo, enquanto que a alimentação e bebidas e artigos de cosmética aumentaram». O balanço geral é que este não foi um Natal muito favorÁvel para os retalhistas no geral. Contudo, nem tudo foi mau para a high street britânica neste período festivo, com muitas cadeias de vestuÁrio e calçado a continuarem a crescer num mercado que estÁ cada vez mais competitivo.