A indústria de vestuário europeia continua sob pressão. A crescente concorrência da Ásia deixa as suas marcas. No ano de 2002, os sectores têxtil e de vestuário dos membros da UE, segundo dados da Euratex, registaram um volume de negócios de 223,5 mil milhões de euros, valor que inclui os volumes de negócios dos 15 antigos estados membro e dos novos 10 que acederam à UE em 2004. O sector empregava quase 2,7 milhões de pessoas em cerca de 260.000 empresas. Em dois anos, o volume de negócios desceu quase 16 por cento, atingindo 207,6 mil milhões de euros. Neste espaço temporal, o número de trabalhadores no sector passou para cerca de 2,3 milhões e o número de empresas para cerca de 197.000.
Os maiores fornecedores europeus de vestuário que a TextilWirtschaft (TW) reuniu no seu ranking alcançaram um volume de negócios total de 43,5 mil milhões de euros. Os maiores tornaram-se ainda maiores. Apenas 28 das 115 empresas tiveram em 2004 de suportar perdas. A maior parte das empresas com volumes de negócios superiores a 75 milhões de euros progrediu em 2004, contrariando a tendência generalizada na Europa. O poder dos dinamarqueses Os dinamarqueses são quem mais avança. Os fornecedores de vestuário desta nacionalidade presentes no ranking registaram uma subida do volume de negócios em 2004 entre 5 e 22 por cento. Em conjunto alcançaram um volume de negócios em vestuário superior a 2,1 mil milhões de euros. A moda oriunda da Escandinávia continuou em 2005 a ser uma das preferidas, sendo considerada como fashion e mais acessível do que muitos produtos similares. A Bestseller Wholesale A/S (Brande), conseguiu em 2004 aumentar o seu volume de negócios de 668 para 812 milhões de euros. O grupo, proprietário de marcas como a Vero Moda e Only, assinou este ano um contrato publicitário para ser o fornecedor oficial de vestuário da telenovela da Sat 1 “Verliebt in Berlin”. A Sand A/S (Copenhaga), registou um aumento do volume de negócios de 20 por cento. A marca quer expandir-se na Alemanha com lojas próprias. A Sand considera-se a Hugo Boss dinamarquesa, tendo registado em 2004 160 milhões de euros e prevendo para este ano atingir os 200 milhões de euros. Para os britânicos, o panorama não é tão cor-de-rosa. Quatros das oito empresas no ranking conseguiram volumes de negócios inferiores aos de 2003. Os italianos e franceses foram os mais bem sucedidos, sobretudo a Dolce & Gabanna (Milão) que conseguiu mesmo subir algumas posições. Com um aumento do volume de negócios de quase 23 por cento, o salto foi da vigésima segunda posição para a décima sétima. O retalhista e grupo de moda francês de artigos de luxo PPR SA, registou, graças ao grupo Gucci, uma subida do volume de negócios de 19 por cento, atingindo 400 milhões de euros. No entanto, o período de tempo considerado inclui 14 e não 12 meses. A Versace não pode regozijar-se do seu desempenho. A empresa de moda de Milão quase quadruplicou as suas perdas (95 milhões de euros). O volume de negócios desceu de 403 para 320 milhões de euros. A Diesel fez uma escalada com um acréscimo do seu volume de negócios de quase 34 por cento. A empresa de jeans e streetwear apostou num segmento mais elevado e tem vindo a tornar-se responsável pela sua própria distribuição. Adidas continua a ser nº 1 A primeira e segunda posição da lista dos maiores continuam a ser ocupadas pela Adidas e pela Benetton, respectivamente. O ramo de vestuário da empresa de artigos desportivos registou em 2004 uma subida de 13 por cento, atingindo 2,5 mil milhões de euros. O ano foi extraordinariamente bom para a Adidas, uma vez que os ganhos do grupo cresceram 21 por cento. A subsidiária Salomon trouxe perdas e a sua venda foi consolidada recentemente. Já no ano de 2004, a Adidas vendeu também a subsidiária Erima (vestuário desportivo), igualmente com resultados negativos. A Adidas abriu no último ano as primeiras lojas Performance em Nuremberga e Frankfurt. Outros destaques do ano foram a colecção de Stella McCartney e o lançamento da marca inspirada no hip-hop Respect Me, em colaboração com a cantora americana Missy Elliot. A Benetton, com um volume de negócios de quase 1,7 mil milhões de euros, teve de suportar perdas de 9 por cento, as quais de acordo com a direcção se devem a uma racionalização. Desta forma, os ganhos líquidos da empresa italiana de vestuário subiram 13 por cento. Em 2004, a empresa desistiu totalmente do ramo de peças de equipamento desportivo. Novamente no terceiro lugar está a Esprit Europe. O volume de negócios do retalho cresceu mais de um quinto, atingindo cerca de 1,6 mil milhões de euros. O objectivo de ultrapassar a Benetton não foi alcançado por pouco. O grupo francês de artigos de luxo LVMH caiu do terceiro para o quinto lugar do ranking, com um volume de negócios relativo a vestuário de 1,3 mil milhões de euros. No que diz respeito aos ganhos líquidos, o grupo no seu todo ultrapassou pela primeira vez a fronteira dos mil milhões, devendo-se este facto sobretudo à rentável marca Louis Vuitton. O grupo Holy, que alberga as empresas Windsor e Strellson, teve um crescimento muito significativo. Ambas as marcas de vestuário de homem registaram um aumento do volume de negócios, e juntas alcançaram 260 milhões de euros. No ano de 2004 ocorreram alguns acontecimentos, sobretudo na Alemanha, que influenciaram o sector do vestuário. As marcas desportivas Adidas e Puma lucraram com eventos desportivos como os jogos olímpicos e o campeonato europeu de futebol. O parlamento alemão aprovou a nova lei da competitividade, abolindo o final das épocas e permitindo aos comerciantes determinar os períodos promocionais. Desenvolvimento na Alemanha A administração da KarstadtQuelle formulou um plano de reestruturação. Na Europa foi dado um passo importante na luta contra os produtos pirateados e falsificados: o parlamento europeu adoptou uma directiva que visa a protecção da propriedade intelectual. A lista dos maiores fornecedores de vestuário alemães é liderada pela Adidas, Esprit e Hugo Boss, tendo este último registado uma subida do volume de negócios de 8,6 por cento. A marca Boss Woman alcançou pela primeira vez ganhos em 2004. Igualmente pela primeira vez desde há quatro anos, a Hugo Boss esteve presente numa feira, Bread & Butter, com as linhas Green Label e Orange Label. A Multilinie Textil consta dos lugares cimeiros do ranking com 943 milhões de euros de volume de negócios. A Puma continua a desenvolver-se positivamente. O volume de negócios relativo ao vestuário cresceu 23 por cento, fixando-se em 416 milhões de euros. A própria marca anunciou que foi um ano recorde, uma vez que também os ganhos do grupo subiram mais de 43 por cento. A Steilmann, Hucke e Bäumler não tiveram um panorama tão favorável. A Bäumler AG tem pela frente mais um ano de reestruturação do qual consta, entre outros planos, a desistência da produção própria, a procura de serviços de logística e a fusão de cinco empresas subsidiárias na Bäumler AG. No seguimento destas medidas a empresa restringiu em grande medida o portfolio de produtos. A Hucke AG lançou em 2004 a linha de vestuário para homem Jonh Slim, mas de acordo com a empresa, as linhas de senhora e criança registram uma queda do volume de negócios devido ao prolongado período de abrandamento de consumo. O grupo Steilmann também sofreu uma reestruturação radical. Cerca de metade dos postos de trabalho na sede foram eliminados. As empresas subsidiárias DressMaster e Nienhaus & Lotz foram vendidas. Para além destes acontecimentos, a empresa abandonou a divisão de distribuição da Europa de Leste e a parceria com discounters italianos. A realização da reestruturação compensou: em 2004 a empresa já registou ganhos. Todas as empresas alemãs que constam do ranking alcançaram um volume de negócios total de 15,3 mil milhões de euros.










