Fisipe reduz prejuízos em 90%

A Fisipe– Fibras Sintéticas de Portugal registou um resultado líquido negativo de 2,28 milhões de euros nos primeiros seis meses deste ano, um valor que representa uma redução de 90% face ao mesmo período do ano passado, em que os prejuízos tinham somado 23,37 milhões de euros.

No primeiro semestre do ano passado a Fisipe tinha sido penalizada pelos custos com encerramento da fábrica da empresa em Barcelona. Nesse período as provisões e perdas por imparidade ascenderam a 22 milhões de euros.

Nos primeiros seis meses deste ano as receitas da empresa aumentaram 4,8% para 44,5 milhões de euros. Como os custos operacionais foram superiores – 44,98 milhões de euros – a Fisipe registou um resultado operacional negativo de 398 mil euros.

Ainda assim este valor compara de forma positiva com o obtido no primeiro semestre do ano passado, período em que os resultados operacionais foram negativos em 22,38 milhões de euros.

Apesar da melhoria nos resultados, a empresa afirma que no primeiro trimestre a sua actividade foi fortemente afectada pela conjuntura económica extremamente negativa, com o preço do petróleo a atingir preços nunca antes vistos, o que teve reflexos no preço da matéria prima principal da empresa, o acrilonitrilo, não tendo sido possível repercutir estes aumentos de preço no produto final.

Nas perspectivas para o resto do ano, a Fisipe diz que as medidas adoptadas até agora, como o abandono da produção de «commodities» e o fecho da unidade fabril na Hungria, já referido em artigo anterior, venham a ter impacto já a partir de Outubro e que seja possível iniciar deste modo o processo de recuperação da empresa.

No mês de Junho a Fisipe procedeu a uma operação de redução e aumento de capital, que significou uma injecção de fundos. Já no início deste mês a CUF, holding do Grupo José de Mello, vendeu a empresa que controla 86,04% do capital da Fisipe a três quadros da empresa através de uma operação de management-buy-out (MBO). O valor da operação não foi divulgado, mas foi feita sem recurso a financiamento bancário. O capital social estava praticamente nulo devido ao elevado passivo da empresa: 26 milhões de euros. No acordo feito, ficou ainda estabelecido que o Grupo Mello injectaria 10 milhões de euros, sendo que metade deste valor seria devolvida pela Fisipe a longo-prazo.

Entretanto, segundo notícia publicada na passada semana pelo Diário Económico (DE), os três ex-quadros não têm capacidade financeira para lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre os restantes capital da empresa, caso seja essa a decisão da Comissão Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O presidente da empresa e um dos participantes do MBO, João Dotti, avançou ao DE desconhecer a decisão da CMVM, mas assegura que, caso seja essa a deliberação, não terem dinheiro para satisfazer essa obrigatoriedade, o que deverá levar a empresa a sofrer as penalidades previstas no código de mercado de valores mobiliários.

A CMVM disse que uma decisão será tomada em breve. O presidente da Fisipe espera que «quem vai decidir, tenha o bom senso necessário para esta situação. A empresa já está numa situação debilitada e esse passo vem dificultar ainda mais».