Uma das mais fascinantes apresentações na conferência internacional sobre nanotecnologia e têxteis inteligentes da Royal Society, em Londres, foi efectuada por James H. Johnston (em conjunto com Michael J Richardson e Fern M Kelly) da Escola das Ciências de Física e Química da Universidade de Victoria, na Nova Zelândia. Numa palestra intitulada "Nanopartículas de ouro como entidades funcionais e colorantes nos têxteis da alta moda", Johnston salientou que, desde os primórdios, o ouro está associado a artigos de valor assim como à moda de alto valor. O uso de nanopartículas coloidais de ouro para produzir a cor de rubi do vidro nas janelas de vidro colorido remonta ao século XVII, tendo a explicação para a cor produzida sido dada pelo grande Michael Faraday em 1857. No entanto, Mie foi o primeiro, em 1908, a explicar as bases teóricas do fenómeno da cor, com a resolução das equações de Maxwell para a radiação electromagnética de absorção e difusão de pequenas partículas metálicas (ou seja, nanopartículas). A cor resulta de fenómenos de plasmão de ressonância de superfície nos quais oscilações coerentes de electrões de banda condutora ocorrem nas nanopartículas de ouro por causa da interacção de ressonâncias do campo electromagnético da luz visível. A cor produzida depende das dimensões das nanopartículas. O aumento destas origina a mudança da absorção de plasmão transversal para comprimentos de onda maiores, enquanto que formas não-esféricas aumentam a absorção devido às ondas longitudinais e interacções dipólo-dipólo mais fortes. Por exemplo, o espectro de absorção de radiação ultravioleta-visível de nanopartículas esféricas de ouro em água varia de acordo com o tamanho das nanopartículas. As máximas absorções variam de 517 nm (para nanopartículas de ouro de diâmetro igual a 9 nm) até 521 nm (diâmetro igual a 22 nm), de 533 nm (diâmetro igual a 48 nm) até 575 nm (diâmetro igual a 99 nm). Devido à mudança de máximo de absorção, o observador constatará uma alteração de cor de vermelho para azul quando observa desde as nanopartículas de 9 nm de diâmetro (vermelho) até às de diâmetro 99 nm (azul). à medida que o diâmetro aumenta para lá de 50 nm, a difusão da radiação incidente (de comprimento de onda visível) também tende a afectar a cor observada. Johnston e os seus colaboradores sintetizaram nanopartículas coloidais de ouro usando agentes redutores assim como um processo combinado de agentes redutores e estabilizadores. Os agentes redutores usados com o HAuCl4 foram o citrato de trisódio, ácido tânico, aminas monoméricas ou poliméricas. A proporção de solução de ouro e de agente redutor determina o tamanho das nanopartículas e, por consequência, a cor observada. O uso de ácido tânico somente como agente redutor permite a obtenção das cores vermelho, verde e azul. Havia ainda o desafio da solidez da cor das nanopartículas de ouro na solução que poderiam, com o tempo, sofrer alterações de cor. Johnston e os seus colegas demonstraram que as fibras de lã Merino da Nova Zelândia e as fibras de algodão podem ser coloridas com nanopartículas de ouro, resultando numa fibra de cor sólida. As nanopartículas são cerca de 1.000 vezes mais pequenas do que as fibras e, sob a forma coloidal, são atraídas para a superfície da fibra. Johnston sublinhou que as fibras coloridas com nanopartículas de ouro podem também ter uma acção anti-microbiana, mas tal não foi ainda testado. Tanto na lã como no algodão, as nanopartículas ligam-se logo quimicamente às fibras, originando fortes ligações. Também conferem propriedades de solidez numa vasta gama de cores, criando assim novas possibilidades de desenvolver têxteis com mais-valias, e de acordo com os mais exigentes cânones da moda










