Financiamento da formação deve ser tri-partido

O secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional, Fernando Medina, considera que independentemente das verbas do próximo QCA (Quadro comunitário de Apoio) para o sector da formação, este esforço deve ser repartido pelo Estado, pelas empresas e pelos próprios trabalhadores. Numa entrevista ao semanário Vida Económica, relativamente às novas exigências que o Código de Trabalho traz para as empresas, Fernando Medina refere que, sendo a formação profissional uma chave para a alteração do modelo económico português, não podemos limitar a nossa acção a qualificar melhor os jovens que ainda não entraram no mercado de trabalho, «temos também de apostar na qualificação daqueles que já estão a trabalhar dentro das empresas».

Questionado sobre se concorda com os alegados poucos resultados práticos da formação na competitividade das empresas e do país, o secretário de Estado é peremptório: «Discordo. Há, naturalmente, casos em que não terá tido, mas há muito mais em que tem, e há aqui um papel de valorização da própria formação profissional. Considero que muito do que o país hoje tem, se deve ao que conseguiu fazer em termos do seu sistema educativo e do seu sistema de formação profissional».

Numa segunda questão ainda polémica, o semanário pediu o comentário a algumas vozes do sector que referem que há distorções de mercado pelo exagerado financiamento das entidades ligadas à formação, ao que Fernando Medina responde que «haverá, naturalmente, distorções em alguns momentos». E acrescenta que haverá certamente questões a corrigir neste QCA, mas que o enfoque deve ser feito no próximo, «quando tivermos a oportunidade de negociar sobre os mecanismos de financiamento da formação». «Agora, globalmente, faço uma apreciação positiva da utilização dos recursos», complementa.