Finanças limitam sustentabilidade dos universitários lusos

Os jovens consumidores portugueses consideram que é necessário adotar comportamentos para travar as alterações climáticas, mas, por motivos financeiros, nem sempre compram as opções de moda mais sustentáveis.

[©Pixabay-Michal Jarmoluk]

A conclusão é de um estudo que teve como objetivo perceber os hábitos de consumo de moda e vestuário dos estudantes universitários em Portugal. O inquérito, realizado online junto de 271 jovens universitários entre os 18 e os 26 anos, mostra que 88% dos jovens apresentam comportamentos positivos em relação à sustentabilidade, mas apenas uma pequena minoria (7%) pode ser considerada um exemplo de consumidor responsável de moda sustentável.

Em média, cada um dos inquiridos possui 19,5 t-shirts e 7,6 pares de jeans, que usam pelo menos uma vez por mês, durante três a cinco anos. Em média, nos três meses anteriores ao inquérito, os jovens inquiridos compraram entre 5 e 9 peças de vestuário e 70% referiram ter feito compras em lojas de fast fashion. 33% nunca adquiriram roupa em segunda-mão.

Outra das conclusões é que a literacia sobre sustentabilidade entre os jovens é variada: mais de metade identifica marcas com comportamentos pouco éticos – apontando nomes como a Shein, Zara e Primark –, mas apenas um terço reconhece marcas com práticas éticas e sustentáveis, onde surgem nomes como a Isto., Patagonia, Levi’s e H&M. Quase um terço dos inquiridos desconhece as certificações de produção ética como FairTrade e Algodão Orgânico.

As principais razões apontadas para deixar de usar uma peça de roupa são o desgaste decorrente do uso (60%), ter deixado de servir (58%) e mudanças de estilo (51%). 67% afirmaram dar uma segunda-vida ao vestuário que já não querem através da doação, venda em segunda-mão ou troca.

Apesar de apenas 7% poderem ser considerados exemplos de consumidor de moda responsável, o estudo refere que «são também poucos os que não mostram preocupações relativas à sustentabilidade no seu consumo de moda (12%). No geral (81%), os jovens universitários residentes em Portugal manifestam comportamentos mistos no que diz respeito à moda sustentável».

Ana Patrícia Fonseca, coordenadora do Departamento de Educação para o Desenvolvimento e Advocacia Social na FEC – Fundação Fé e Cooperação, organização não-governamental que promoveu o estudo, considera que «é necessário refletir sobre a sustentabilidade do planeta e sobre novas formas de produzir, mas esta não é só uma responsabilidade dos produtores e das marcas. Os governos e as organizações internacionais têm a responsabilidade de continuar a trabalhar para colocar este tema na agenda política, criando regulamentação clara e vinculativa que monitorize as práticas das indústrias e que favoreça a proteção dos direitos humanos sociais e ambientais e a dignidade das pessoas e do planeta».

O estudo foi elaborado no âmbito do projeto “Pequenos Passos” da FEC em parceria com o CEsA/Oficina Global e cofinanciado pelo Camões, I.P. Até final de agosto está a decorrer a campanha “Uma t-shirt não se esgota”, inserida neste projeto, que tem como objetivo informar e mobilizar os jovens a tomar decisões mais conscientes, de forma a terem impacto positivo no ambiente e nas pessoas que fazem parte da indústria têxtil.