Fifanta é case study

O tecido industrial português é constituído maioritariamente por pequenas e médias empresas, e o sector têxtil não foge à regra. Bem pelo contrário. A Fifanta é o que se poderia chamar de caso típico se não fosse o seu carácter de excepção à regra. Quem o afirma é o grupo de alto nível que sustenta a Plataforma Manufuture, com a missão de delinear a resposta estratégica da indústria transformadora europeia face à revolução da indústria global, com base na investigação e na inovação, e no qual Portugal se encontra representado ao mais alto nível por Carlos Costa, membro do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, que assume a vice-presidência para a política industrial. Na sua mais recente reunião, que decorreu no passado dia 3 em Lisboa, a Plataforma Manufuture Portugal teve em agenda a análise do caso nacional e a integração das nossas empresas nos seus objectivos. Nesse seguimento, a Fifanta constituiu o modelo apontado no âmbito do desenvolvimento dos sectores tradicionais, nos quais a têxtil inegavelmente se inclui. Joana de Ávila, administradora da empresa explica ao Portugal Têxtil, tal como o já tinha feito na referida reunião, que «a opção estratégica que sustenta o nosso sucesso é a diversificação». Mas ressalva que o facto de esta ter resultado na Fifanta não é garantia de verdade universal que vá “salvar” o sector. No entanto, algo é recorrente e extrapolável: a capacidade de transformar ameaças em oportunidades. É isso que a Fifanta tem feito nestes quase 25 anos de actividade. A Fifanta nasceu como empresa produtora de fios têxteis de fantasia, mas rapidamente compreendeu que tinha que acompanhar as mudanças do mercado para assegurar a sua perenidade e rentabilidade. A escolha era entre mudar ou morrer. «A abertura do mercado português ao mercado europeu, e o consequente aumento da concorrência – mas também do mercado – cedo nos impeliu a explorar novas áreas de negócio, como os têxteis-lar, onde investimos em novas tecnologias para produzir comodities como almofadas e edredões, produtos que o mercado necessitava», explica Joana Ávila. O final dos anos 90 deixava já antever as dificuldades actuais. Deste modo, a Fifanta, apologista do livre mercado e da vida para além da têxtil, decidiu apostar nos não-tecidos agulhados explorando assim outras áreas de aplicação como, por exemplo, a construção civil, o automóvel, a saúde. O novo milénio traz consigo a sua terceira nova área de negócio: o licensing, onde atinge grande notoriedade com a licença Rock in Rio Lisboa 2004. Desta feita, a empresa reestrutura-se, e direcciona-se para nichos de mercado e produtos com valor acrescentado. Actualmente, os têxteis-lar representam 45% do seu volume de negócios, os não-tecidos 30% e o licensing 25%. Com um efectivo de 24 pessoas, a Fifanta facturou, em 2005, 4 milhões de euros. «Até agora, optamos por trabalhar unicamente o mercado interno. Hoje, como já não é possível continuar a crescer internamente de forma significativa, apostamos na internacionalização, começando pelo país vizinho onde já temos um agente e uma estratégia bem definida, sustentada em factores que não o preço. O factor preço é frequentemente inimigo da qualidade», declara a administradora da Fifanta. Joana Ávila considera também que é nas grandes crises que surgem as grandes oportunidades. «Temos que procurar continuamente novas alternativas, fomentar a inovação, promover a formação. E estar sempre à frente». Afinal, o segredo do seu sucesso.