«A produção europeia de fibras ainda é muito importante e a Europa é reconhecida como um dos líderes mundiais de inovação neste domínio, juntamente com o Japão. Deste modo, em comparação com os EUA, a Europa conserva ainda um importante avanço neste terreno». Quatro anos após ter pronunciado este comentário, por altura da compra da Invista pela Koch, Colin Purvis, delegado geral do Cirfs (Comité Internacional de Viscose e Fibras Sintéticas), não mudou de ponto de vista.«Se a China se tornou, de longe, a principal produtora mundial de fibras e continua a aumentar regularmente as suas quotas de mercado, a indústria europeia de fibras mantém-se bem, dirigindo-se sobretudo aos compradores posicionados nos produtos especializados de gama alta (sportswear, vestuário de protecção)», observa Colin Purvis. «Esta indústria, que exporta muito fibras celulósicas e acrílicas, mantém, contudo, o essencial da sua actividade no mercado europeu, sempre à procura de inovações e de muita qualidade». Constatando que a procura para a fibra elastano é particularmente acentuada na zona Euromed, Colin Purvis sublinha que os concorrentes mais conhecidos da Invista e da sua marca Lycra não se deixam ficar para trás. Prova disso é que o grupo japonês Asahi comprou, no ano passado, ao grupo alemão Bayer, a sua actividade de fibras de elastano e a sua marca Dorlastan; e a coreana Hyosung, número dois mundial no elastano com a sua fibra Creora, investiu numa nova localização turca. O objectivo destes dois grandes produtores asiáticos é só um: aproximar-se da clientela europeia. Pelo que se conclui que esta é considerada ainda suficientemente desejável para merecer tais investimentos.Produção mantém-se na EuropaA uma escala menor em termos de produção, Colin Purvis evoca também a deslocalização da americana Dow, que instalou, há três anos, em Espanha a sua única unidade mundial para a produção do Dow Xla, uma fibra extensível considerada como uma alternativa ao elastano no sector do sportswear.De forma geral, Colin Purvis mostra-se relativamente sereno quanto ao futuro dos produtores europeus de fibras não-naturais. Para ele, o balanço recente da Nylstar, especialista em poliamida, não é sinal premonitório de um recuo generalizado do sector. Imputa as dificuldades da empresa à «gestão de uma estrutura de joint-venture (franco-italiana)» e a uma reestruturação muito tardia das unidades de produção (agora localizadas em Espanha, França, Eslováquia e Polónia, após o fecho de duas unidades em Itália) mais do que à sua laboração, mesmo que reconheça que este sector «não é nada fácil». Colin Purvis cita, por outro lado, o exemplo da italiana Aquafil, outro player na poliamida que tem vindo a aumentar a sua capacidade de produção na Eslovénia.Por fim, a passagem em revista dos principais produtores de fibras europeus testemunha claramente que estes não abandonaram a produção local. É certo que os accionistas da Acordis, líder europeu de fibras, preferiram desmantelá-la. No entanto, entre as empresas independentes nascidas desta separação, a Cordenka, líder mundial de viscose, continua a produzir na Europa.Também a líder mundial de fibras celulósicas, a austríaca Lenzing, produz essencialmente no seu país, e, em menor quantidade, no Reino Unido, nos EUA, na Indonésia e na China. Esta última unidade, como sublinha Colin Purvis, destina-se a fornecer o mercado chinês em viscose de elevada qualidade.Cenário semelhante tem a italiana Montefibre, que vendeu a sua actividade de poliéster para se concentrar no acrílico e que abriu recentemente uma fábrica chinesa para fornecer o mercado local em fibras de valor acrescentado, mas que continua, paralelamente, a produzir em Itália e em Espanha. Outra unidade industrial transalpina, a Radici, especialista em poliéster e em poliamidas de elevado valor acrescentado, tem a maior parte da sua produção de fibras na Europa (Itália e Suiça), estando a restante no Brasil e nos EUA. Da mesma forma, a Miroglio mantém-se como a grande produtora de poliéster para o sector têxtil e de vestuário, estando implantada unicamente em Itália.Na Alemanha, a Dralon, grande produtora de acrílico só produz no país de origem, enquanto que a Trevira, posicionada nos especialistas de poliéster, cuja marca mais conhecida é a CS, com propriedades anti-fogo, continua a produzir no Velho Continente, ainda que a sua casa-mãe seja, nada mais, nada menos, que o gigante indiano Reliance Industries. Em Portugal, a Fisipe produz o seu acrílico localmente. Em França, a Tergal, que faz parte dos grandes produtores europeus de fibras de poliéster, com uma fábrica no norte, está, por sua vez, a terminar a sua reestruturação. «O que parece uma boa base para o futuro», antevê Colin Purvis.











