Fiação de cânhamo regressa a França

[©La French Filature]

A unidade produtiva, integrada nas instalações industriais da Natup – um grupo agroindustrial francês que abrange 7.000 agricultores – está a trazer de volta a fiação de linho e cânhamo a França, que já não tinha este tipo de fiação há duas décadas.

A fiação a húmido que foi montada permite obter fios suficientemente finos para serem usados na produção de vestuário e têxteis-lar. Em 2022, a La French Filature anunciou os primeiros fios de linho 100% franceses e agora está a lançar os primeiros fios de cânhamo, que foram usados na tecelagem pela Lemaitre Demeestere e serão apresentados na Première Vision, que começa amanhã.

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«Com esta inovação, a La French Filature continua o seu trabalho de relocalização do know-how têxtil e garante uma rastreabilidade completa e a otimização do impacto ambiental do produto acabado. Propor um fio de cânhamo francês feito em húmido, controlando localmente a cadeia de produção, permite-nos nutrir o ecossistema e satisfazer um novo segmento de mercado, o do vestuário e têxteis-lar 100% franceses», explica Karim Behlouli, diretor-geral da NatUp Fibres citado pela Fashion Network.

De acordo com o estudo Growing Hemp for the Future, da Textile Exchange, França é o maior produtor mundial de fibra cânhamo, representando uma quota de 47% da produção total, que terá rondado, nos 21 países produtores em conjunto, 302 mil toneladas em 2021. Os franceses terão produzido cerca de 143 mil toneladas, sendo seguida pela China (cerca de 73 mil toneladas) e pelos EUA (pouco mais de 15 mil toneladas).

[©La French Filature]
A fibra de cânhamo tem sido mais procurada pelas suas características sustentáveis, uma vez que não necessita de produtos químicos nem de irrigação para a sua cultura, sendo ainda resistente a períodos de seca. Além disso, tem uma elevada resistência e oferece regulação térmica, absorvendo a humidade libertada pelo corpo.

A NatUp conta com 5.000 sócios em várias regiões de França, abarcando quatro áreas: grãos, legumes, fibras e distribuição rural. No total emprega 1.800 pessoas e gera um volume de negócios de 1,6 mil milhões de euros.