Ferragamo em expansão

O grupo italiano de artigos de luxo Salvatore Ferragamo registou sinais de recuperação nos últimos meses, mas é ainda difícil afirmar que a crise mundial acabou, considera o CEO da empresa, Michele Norsa. A empresa sedeada em Florença, conhecida pelos seus sapatos, bolsas e lenços, está, entretanto, a analisar mercados emergentes como a China e a América Latina para se expandir, revelando Norsa que a China pode, em breve, transformar-se no seu segundo maior mercado, logo atrás dos EUA. «Provavelmente depois do aniversário do colapso do Lehman [no passado dia 15 de Setembro] irá haver melhores comparações, mas ainda não se pode dizer que a crise tenha acabado para os mercados maduros. Pode começar-se a ver uma saída, mas é difícil», explicou à Reuters. «Sou prudente ao dizer que há sinais», prosseguiu, referindo-se ao mercado do luxo, onde se registou um abrandamento da procura quando os ricos começaram a ser mais selectivos nas suas compras. Norsa anunciou, no entanto, que a Ferragamo pretende abrir entre 20 e 30 pontos de venda este ano – a maior parte na ásia, em comparação com os 49 do ano passado. «A ásia representa, pelo menos, 50% e a China quase um terço» destas aberturas, adiantou, acrescentando que não há ainda qualquer indicação de quantas lojas a Ferragamo irá abrir no próximo ano. Nas previsões da empresa não consta também o encerramento de qualquer loja por agora, apesar de haver lojas menos lucrativas. Tal como o grupo Prada, a Ferragamo adiou a entrada em bolsa devido à turbulência dos mercados. A empresa, para quem Claudia Schiffer trabalhou, foi fundada nos anos 20 por Salvatore Ferragamo, que começou por desenhar calçado. A esse respeito, Norsa considera que «actualmente o mercado não está a oferecer qualquer oportunidade interessante, será tomada uma decisão dependendo da forma como o mercado se comportar». A Ferragamo assistiu a uma quebra de 17% dos lucros, para os 39 milhões de euros no ano passado, enquanto o volume de negócios se manteve estável – apesar do crescimento na região da ásia-Pacífico – para os 691 milhões de euros. A ásia representa quase 50% do volume de negócios mundial da Ferragamo. «A ásia tem, com certeza, uma capacidade de crescimento que é mais consistente e mais rápida. Não ficaria surpreendido se chegasse aos 50% ou mais em 2010», afirmou Norsa. Os EUA são o principal mercado da Ferragamo, seguido do Japão, com a China em terceiro lugar, «mas está a aproximar-se do segundo», revelou Norsa. À medida que a crise enfraquece a procura de bolsas e sapatos caros, Norsa refere que a Ferragamo, tal como outros players do luxo, está a oferecer uma gama mais abrangente de produtos na parte mais baixa da sua gama de preços. «As marcas de luxo tendem a alargar um pouco o que estão a oferecer. O que é oferecido está a ser expandido para gamas de preço que são consideradas mais acessíveis», explicou. Além disso, considera que «a crise leva a que haja menos vida nocturna – festas, eventos – por isso há mais produtos “de dia” na nossa oferta». A Ferragamo está a tentar atrair os consumidores na crise através de eventos como desfiles de moda, reduzindo os gastos em publicidade nos meios de comunicação social. Está também a entrar no comércio electrónico, com o lançamento do seu próprio site para vendas on-line em países da Europa, que «será inaugurado no final deste mês e será alargado mês a mês», avançou Norsa. A marca italiana está ainda a desenhar os interiores de penthouses no Dubai como parte de um projecto que deverá estar concluído em 2012. Mas para já, assegurou Norsa, não há planos para uma linha de casa.