Fatilino foca-se na internacionalização

Com quase 40 anos de atividade, a empresa de confeção, que investiu em tecnologia e certificação, está a reforçar a sua estratégia de internacionalização, mantendo o posicionamento em produções de pequena escala e maior valor acrescentado.

Filipa Marinho

Especializada em malhas circulares, a Fatilino produz atualmente artigos como t-shirts, sweatshirts, hoodies e vestidos para homem, senhora, criança e bebé, com foco na qualidade. «Trabalhamos com quantidades mais pequenas e com uma qualidade acima daquela que os nossos concorrentes normalmente trabalham», explica Filipa Marinho, atual gerente e segunda geração aos comandos da empresa familiar.

A exportação assume um papel central no modelo de negócio da empresa, representando cerca de 95% da produção. «Já exportamos há 30 anos. Temos apenas um cliente interno», sublinha a gerente.

Entre os principais mercados estão França, Espanha e Reino Unido, embora este último tenha sido afetado pela saída da União Europeia. «Com o Brexit perdemos um bocadinho Inglaterra. Sabemos que é um país difícil de exportar», admite. Já França tem sido um mercado relevante, apesar de alguma quebra após a pandemia.

Neste contexto, a Fatilino decidiu reforçar a presença internacional através de feiras, tendo-se estreado em fevereiro na Première Vision Paris. «Já tínhamos estado em feiras em Portugal e em Munique, há três ou quatro anos. Não tinham surgido grandes resultados e, por isso, afastámo-nos. Este ano decidimos apostar em Paris, visto que o mercado francês é um mercado em que estávamos bastante fortes», indica.

Segundo Filipa Marinho, os primeiros contactos foram positivos, sobretudo com clientes franceses, mas também com interesse de outros mercados europeus. «Recebemos bastantes possíveis clientes de França. E tivemos algumas perguntas de clientes de Inglaterra», exemplifica.

O objetivo é alargar a pegada internacional, tendo na mira mercados como o americano e os países nórdicos. «Os EUA são um mercado que ambicionamos», reconhece.

Crescimento sustentável

Com uma equipa de 31 colaboradores, a empresa assegura internamente as fases de corte, confeção e embalagem, recorrendo a parceiros para processos como estamparia, bordados, acessórios e lavagens. «São subcontratados, mas são empresas que trabalham exclusivamente para nós, são quase como extensões da nossa empresa», explica.

O investimento mais recente incidiu no reforço da capacidade produtiva e na modernização tecnológica. «O último investimento foi voltar a crescer para mais um piso da empresa e apostar num corte mais tecnológico e eficiente», revela. Paralelamente, a empresa está a apostar na certificação GOTS (Global Organic Textile Standard), com vista a responder às exigências de mercados mais orientados para a sustentabilidade.

Apesar de a faturação se manter estável, rondando os 2,5 milhões de euros, Filipa Marinho assume que o mercado está mais instável e imprevisível. «Sentimos que o mercado está muito volátil. Há meses em que é tudo muito urgente e há meses que o fluxo reduz bastante», refere.

Uma irregularidade que tem impacto no planeamento da produção, numa altura em que os clientes trabalham com menos stock e ciclos mais curtos. Ainda assim, a empresa tem conseguido responder às exigências. «Tudo se faz com uma boa gestão e com uma boa equipa», acredita a gerente da Fatilino.

Para 2026, as expectativas mantêm-se, por isso, moderadas. «Aos poucos conseguimos fazer o nosso caminho», afirma Filipa Marinho. A estratégia passa por consolidar a posição nos mercados atuais, explorar novas geografias e garantir a continuidade de um modelo assente na qualidade, flexibilidade e estabilidade financeira. «Queremos crescer de uma forma sustentável e estável», conclui.