Fast Retailing aposta na Europa para crescer

A retalhista japonesa planeia trazer para os mercados europeus e americano a sua marca GU, que acredita ter um potencial de crescimento tão grande quanto o da Uniqlo.

[©Fast Retailing]

A GU – cujo nome se pronuncia jiyu, que significa liberdade em japonês – tem preços ligeiramente mais baixos do que os da Uniqlo e propostas de moda direcionadas para clientes mais novos. O objetivo, segundo indicou à Bloomberg Tadashi Yanai, fundador da Fast Retailing, é aumentar a presença da GU fora do Japão para tornar a retalhista num «player verdadeiramente mundial», aumentando as vendas para 10 biliões de ienes (cerca de 61,2 mil milhões de euros) e duplicando o lucro anual para 5 biliões de ienes dentro de alguns anos.

«A GU tem o mesmo potencial que a Uniqlo», apontou Takeshi Okazaki, diretor financeiro da Fast Retailing, em entrevista à Bloomberg. «Podemos criar o mesmo número de lojas GU como as que existem da Uniqlo», acredita.

Esta marca poderá gerar até 700 mil milhões de ienes, referiu Takeshi Okazaki. Os primeiros passos nos EUA foram dados em 2022, com a abertura de uma loja em Nova Iorque, no SoHo. «Queremos fazer da GU uma loja repleta de produtos de tendência que são facilmente acessíveis e fazer com que as pessoas queiram desfrutar da moda. Para isso, não podemos simplesmente ficar no Japão», sublinhou o diretor financeiro da Fast Retailing.

O caminho do crescimento, contudo, não será fácil, de acordo com Dairo Murata, analista sénior na JPMorgan Securities Japan. «Em comparação com a Uniqlo, que, no fundo, vende vestuário do dia a dia para um grupo etário vasto, o mercado da GU está, por definição, limitado, porque vende moda para os que têm entre 10 e 30 anos», afirmou. «Para chegarem ao seu objetivo a médio prazo de atingir um bilião de ienes de vendas na GU; terão de entrar em mercados estrangeiros, o que não será fácil», salientou Dairo Murata.

Há uma sinergia entre a GU e a Uniqlo que tornará mais fácil abrir lojas GU aproveitando o que a Fast Retailing já fez com a Uniqlo, lembrou o diretor financeiro. A retalhista vai assegurar-se de que serve as preferências internacionais, ao mesmo tempo que procurará evitar um aumento no número de tipo de produtos que vende, acrescentou.

«Se fosse há 10 anos, não poderíamos fazer isto, mas a informação sobre as pessoas e as tendências de moda estão a tornar-se bastante partilhadas internacionalmente», sublinhou Takeshi Okazaki. «Às vezes temos de acrescentar uma determinada coisa, mas, no geral, controlamos o número de produtos e fazemos com que sejam aplicáveis mundialmente», referiu.

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Concorrentes internacionais que estão já bem estabelecidos no mercado, como a Zara, a H&M e a Gap, são igualmente um obstáculo – só a H&M tem mais de 2.500 lojas na Europa e mais de 700 na América do Norte e do Sul através das suas diferentes marcas, reforçou a Bloomberg.

Até ao momento, os esforços de expansão fora do Japão e da Ásia estão a compensar, com as vendas nos EUA e na Europa a ajudar a um lucro operacional mais forte do que o esperado no primeiro trimestre fiscal, que terminou em novembro. A Fast Retailing planeia acelerar a abertura de novas lojas Uniqlo na América do Norte na Europa, com mais 20 e mais 10 lojas por ano, respetivamente. «Mundialmente, quem lidera a moda é, obviamente, a Europa e a América», reconheceu Takeshi Okazaki.

Atualmente, a Uniqlo tem apenas uma quota de 0,5% nos EUA e na Europa, segundo o diretor financeiro. Embora as vendas internacionais tenham representado mais de metade do volume de negócios da Uniqlo no último ano fiscal, a GU tem crescido essencialmente no mercado doméstico. Mesmo com a sua popularidade no Japão, as vendas anuais da GU foram apenas de 295 mil milhões de ienes, em comparação com 2,33 biliões de ienes da Uniqlo com as suas mais de 2.400 lojas espalhadas pelo mundo.

«No futuro, vejo a Uniqlo e a GU, em conjunto, a criarem um grande mercado de vestuário feito para toda a gente», afirmou Takeshi Okazaki. «Tencionamos, agressivamente, fazer os investimentos necessários nos próximos anos para tornar a GU grande», concluiu.