Fast Retailing acelera crescimento

O Fast Retailing, grupo japonês de vestuário que detém a cadeia de moda casual Uniqlo, anunciou que pretende aumentar as vendas anuais em 700% até 2020 de forma a tornar-se um dos maiores grupos do sector a nível mundial. Para atingir o objectivo de facturação de 54 mil milhões de dólares anuais, a empresa pretende reforçar a sua expansão internacional e continuar a sua política de aquisições. O grupo, que gere actualmente cerca de 700 lojas Uniqlo no Japão e 80 espaços fora do país, planeia a entrada no mercado russo, que deverá acontecer já em 2010, e uma rápida expansão no mercado chinês, com o objectivo de, a longo prazo, atingir as 4.000 lojas em 2020. As ambições do Fast Retailing poderão aumentar a intensidade competitiva com reflexos directos nos principais players do mercado: Gap. Inditex e H&M. Os principais concorrentes no segmento da fast-fashion, Zara e H&M, têm aproveitado a recessão económica para atingir melhores resultados que outros concorrentes dentro do sector, mas a performance destes gigantes da moda rápida têm ficado aquém daquela registada pela Uniqlo. Como exemplo poderá ser apontado o estagnado mercado japonês, onde em vendas comparáveis (mesmo número de lojas), a Uniqlo apresentou um crescimento de 11,3% nos 12 meses terminados em Agosto. Valores em contra-ciclo com os maiores retalhistas japoneses, que têm vindo a apresentarem quebras de vendas e de lucros consideráveis. Os investidores têm vindo a aplaudir a capacidade da Uniqlo apresentar produtos inovadores à sua base de clientes, que se têm transformado em autênticos sucessos de venda como é o caso do vestuário confeccionado com tecidos termorreguladores e de camisolas produzidas com sutiãs embutidos. Apesar disso, os analistas estão renitentes quanto à capacidade da empresa apresentar um plano de negócios sólido para a sua expansão internacional, que os convença definitivamente do seu potencial de crescimento numa altura em que o retalho japonês atingiu a maturidade. Segundo Naoki Fujiwara, gestor de Fundos de Investimento, «a performance actual da Uniqlo já está reflectida na sua capitalização bolsista. Será necessário que apresente uma boa história de crescimento para levar as acções para um patamar mais elevado. Existe um limite para o crescimento da marca no seu mercado de origem, pelo que terá que procurar expandir-se fora de portas, nomeadamente nos restantes mercados asiáticos». O Fast Retailing, que também opera outras cadeias de retalho, anunciou que pretende elevar a sua facturação para os 54 mil milhões de dólares até 2020, um valor 7 vezes superior ao seu actual volume de negócios. Deste objectivo, a empresa espera que os mercados internacionais contribuam para cerca de 60% do valor. De acordo com o CEO do grupo, Tadashi Yanai, o grosso deste crescimento virá dos mercados asiáticos, em particular da China, onde é expectável que a Uniqlo abra uma loja âncora durante a Primavera de 2010. Depois desta loja localizada em Xangai, espera-se um ritmo médio de abertura de 100 lojas por ano, a somar às 30 actualmente existentes. Para o executivo, o crescimento nos mercados americano e deverá realizar-se maioritariamente através de aquisições. «Existirão certamente muitas oportunidades para aquisições. Durante os próximos anos assistiremos a uma consolidação do retalho de moda a nível mundial e queremos ser os primeiros a agarrar as oportunidades que entretanto surjam», concluiu Yanai.