Faria da Costa regressa às feiras

A Première Vision foi escolhida pela empresa produtora de peúgas para o seu regresso aos certames profissionais após o aumento de capacidade e reorganização interna.

Nuno Costa

O objetivo da participação é consolidar o mercado, assume Nuno Costa, diretor-geral da Faria da Costa. «Estamos a subir na qualidade das matérias-primas utilizadas, estamos a usar cada vez mais fibras premium e vamos à procura de clientes que valorizem esse tipo de artigo», afirma.

Em Paris, peúgas com caxemira, alpaca e lãs finas estiveram em destaque, para atrair sobretudo clientes de gamas mais altas.

Praticamente todos os dias a Faria da Costa recebe contactos de potenciais clientes e, apesar de produzir diariamente cerca de 40 mil pares de meias, ainda não consegue dar resposta a todos os pedidos. «A procura tem aumentado bastante», revela o diretor-geral da empresa, nomeadamente por «clientes que compravam bastante na Ásia e estão a deslocalizar para Portugal pela proximidade. Primeiro pelo receio da pandemia, mas no pós-pandemia também».

Este incremento permitiu à Faria da Costa aumentar as vendas «20% a 30% por ano nos últimos três ou quatro anos», tendo encerrado 2022 com um volume de negócios que ultrapassou os 8 milhões de euros. Em 2023, o crescimento foi «ligeiro», descreve Nuno Costa, «mas os resultados líquidos melhoraram», sublinha.

Apesar dos investimentos que tem feito, a Faria da Costa debate-se ainda com a mesma dificuldade. «O problema é dar resposta à procura, porque, neste momento, a procura é muito superior à nossa oferta», confessa o diretor-geral. «Já atingimos praticamente a nossa capacidade máxima de produção e optámos agora por consolidar as contas e melhorar os rácios», indica.

Nos últimos três anos, a Faria da Costa praticamente triplicou a sua capacidade produtiva, fruto de um plano de investimentos que começou em 2016. «Fomos aumentando a capacidade, melhorando o serviço, melhorando o produto e, não todos os anos, mas de dois em dois anos, fazemos investimentos de valores consideráveis», especifica.

Em 2018 terminou um projeto de investimento que rondou 1,4 milhões de euros e em 2020 iniciou um outro de 1,2 milhões de euros. «Em seis meses aumentámos a nossa área em cerca de 1.500 metros quadrados e a nossa capacidade produtiva em cerca de 20%», aponta. «Neste momento, esse investimento está realizado e já estamos a partir para outro. Estamos a considerar mais aumento de capacidade e não tanto inovação», salienta Nuno Costa. «No ano passado já investimos alguma coisa, este ano vamos tentar investir mais. Queremos conseguir dar resposta em menos tempo», acrescenta.

Atualmente com 150 trabalhadores diretos, a empresa, que recorre ainda à subcontratação, tem espaço para crescer. «Estamos a estudar ampliar a unidade em mais de mil metros quadrados», adianta Nuno Costa.

Para 2024, «há muita incerteza. Nota-se que os clientes estão mais reticentes e a atrasar a colocação de encomendas, procuram ter uma visão mais próxima do futuro. Temos contactos, temos pedidos iniciais, mas os clientes tentam adiar», refere o diretor-geral da Faria da Costa.

Quanto às feiras, «até agora estivemos muito calmos porque estivemos a reestruturar e a reorganizar para conseguirmos dar uma resposta apropriada. Agora vamos à procura do cliente da gama acima. Ou seja, dar sempre mais um passo», mas sustentado, realça. «Queremos fazer um aumento consolidado. Estamos numa altura de muitas dúvidas, de muita incerteza, e temos de dar passos certos», conclui Nuno Costa.