A sustentabilidade é um dos focos da empresa, que se está a alinhar pelas crescentes exigências do mercado por produtos mais ecológicos. Segundo Afonso Barbosa, CEO da empresa, a procura por fibras sustentáveis, como poliéster reciclado e algodão orgânico, tem aumentado significativamente, ao que a Familitex tem respondido com certificações que a empresa detém, como GOTS, OCS e GRS. «No início foi difícil, mas agora os sustentáveis vendem-se bem», confirma.
Apesar da aposta em novos materiais, como malhas com cortiça e elastano à base de milho, há ainda desafios a ultrapassar, nomeadamente a incipiência do mercado. A procura por alguns destes produtos inovadores, como as malhas com cortiça, ainda não atingiu o volume desejado devido ao custo elevado de produção. «A cortiça teve um impacto grande, mas torna-se uma malha cara», justifica.
A nova coleção, para o outono-inverno 2025/2026, reúne propostas onde a lã e o cânhamo são protagonistas, juntamente com 100% viscose de laranja, fibras orgânicas e recicladas.
Em termos de operações, a Familitex continua a investir em infraestrutura e tecnologia, incluindo um investimento de 10 milhões de euros na tinturaria Barceltinge, adquirida há quatro anos. A empresa destaca a sua aposta em tecnologia sustentável noutras áreas, como o uso de permutadores para aproveitar energia e reduzir o desperdício. «Somos autossuficientes em águas quentes sem gastar um cêntimo», exemplifica Afonso Barbosa. «Também somos dos maiores investidores em Portugal da Smartex. Já temos o sistema [para deteção imediata de defeitos na produção de malha] em quase todos os equipamentos», acrescenta.
Em 2023, a empresa registou uma queda de 20% nas receitas, atribuindo parte dessa redução à baixa nos preços das matérias-primas, sendo que os resultados líquidos se mantiveram positivos, graças a uma forte aposta na diversificação de produtos e mercados.
O objetivo da Familitex passa agora por aumentar a exportação direta, que atualmente ronda os 20%, e diversificar a sua oferta para novos segmentos, «para áreas mais técnicas», indica o CEO, dando o exemplo do desporto.
Para o resto do ano e, sobretudo, para o futuro, a visão de Afonso Barbosa continua otimista. «Acredito na empresa e no futuro», conclui.










