Externalizar para sobreviver

A Arcandor anunciou que vai externalizar uma parte das suas actividades consideradas não estratégicas e poderá vir mesmo a cedê-las, tendo em conta a sua difícil situação financeira. O grupo alemão de distribuição tenciona contratar serviços a entidades externas para 1.500 pontos de venda da sua filial de distribuição por correspondência Quelle, assim como para 115 centros técnicos, de acordo com um comunicado. A Arcandor vai igualmente externalizar oito das suas department stores Karstadt e ainda a sua marca centenária KaDeWe em Berlim. Tudo é possível actualmente para estas actividades, deixou entender o novo patrão do grupo, Karl-Gerhard Eick, em conferência de imprensa. As opções são múltiplas», explicou, lembrando o que foi feito na Deutsche Telekom, onde trabalhou durante muito tempo: o grupo de telecomunicações externalizou alguns ramos de actividade com o objectivo de os ceder ou encontrar parcerias. A Arcandor vai também rever os seus procedimentos de aprovisionamento. No entanto, Eick manteve-se vago quanto às consequências da reorganização para o emprego, indicando apenas que o grupo quer que os despedimentos sejam tão limitados quanto possível». A empresa concentrar-se-á, assim, na venda on-line e por correspondência através dos catálogos Quelle, nas vendas em 81 das suas department stores Karstadt e em 27 das suas lojas de desporto. Vai igualmente prosseguir a sua actividade no turismo com a Thomas Cook. O objectivo desta reestruturação é conseguir um “balão de oxigénio” para o grupo, que enfrenta uma situação financeira difícil. Com esta reorganização, a Arcandor espera conseguir passar para “o verde” os seus três sectores de actividade – venda por correspondência, department stores e turismo – e voltar a um balanço de tesouraria positivo. Eick já deixou claro que a Arcandor tem necessidade de dinheiro “fresco” e não exclui despedimentos entre os 52.000 funcionários que emprega na Karstadt e na Quelle. O grupo necessita de um financiamento que pode atingir os 900 milhões de euros nos próximos cinco anos para pôr em marcha os seus planos de reestruturação.