Exportações da ITV mantêm sinal vermelho

Face a fevereiro de 2023, as exportações de matérias têxteis desceram quase 5%, uma queda que alastra para mais de 8% quando se considera os dois primeiros meses do ano. Pela positiva destacam-se apenas a lã, as pastas e cordoaria e os têxteis-lar.

Em fevereiro, as exportações de têxteis e vestuário – englobadas na categoria matérias têxteis e suas obras na classificação do Instituto Nacional de Estatística – somaram 469,68 milhões de euros, o que representa uma queda de 4,8% face ao mesmo mês de 2023.

No acumulado dos dois primeiros meses de 2024, a descida é mais acentuada (-8,4%), depois da quebra de quase 15% registada em janeiro. No total, entre janeiro e fevereiro, as exportações nacionais de têxteis e vestuário atingiram 925,35 milhões de euros, em comparação com 1,01 mil milhões de euros registados em igual período do ano passado.

Em termos de produtos, as reduções são generalizadas, variando entre -20% para fibras sintéticas ou artificiais descontínuas, -14,6% para os tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificado, -14,1% para filamentos sintéticos ou artificiais, -13,6% para tecidos de malha, -12,9% para vestuário e seus acessórios, de malha, -9,6% para algodão e -6,7% para vestuário em tecido.

Pela positiva, as exportações de outras fibras vegetais (que representam ainda um pequeno valor, de 5,6 milhões de euros) aumentaram 45,9%, os tapetes e outros revestimentos para pavimentos subiram 9,7%, os envios de pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, que inclui ainda fios especiais, cordéis, cordas e cabos, e artigos de cordoaria, somaram mais 8,3%, a subcategoria lã registou um incremento de 4,5% e outros artefactos têxteis confecionados, onde se incluem a maior parte dos têxteis-lar, registaram uma subida de 1,56%.

Nesta última subcategoria, aliás, verifica-se um aumento de 10,5% nas vendas ao exterior de cobertores e mantas, para 4,36 milhões de euros, e de 4,6% nas exportações de roupas de cama, mesa, toucador ou cozinha, para 85,84 milhões de euros (em comparação com 82,05 milhões de euros no mesmo período de 2023).

No que diz respeito aos mercados, os números avançados pelo INE dão conta de uma queda generalizada no top 10 dos destinos dos têxteis e vestuário “made in Portugal”, com a única exceção a ser o Canadá – embora já com um crescimento bastante inferior ao do ano passado, de apenas 2,5%.

Espanha e França, os principais mercados da indústria portuguesa, continuam em queda, com Espanha a reduzir em 9,6% as compras de têxteis e vestuário e França a seguir um caminho semelhante, com uma diminuição de 8,9%. Alemanha (-7,2%), EUA (-4,8%) e Itália (-7,9%), que, respetivamente, completam o top 5, registam igualmente evoluções negativas.

As importações de têxteis e vestuário estão também a descer, tendo registado uma queda de 10,2% nos primeiros dois meses do ano, para 741,85 milhões de euros, mantendo a balança comercial positiva.