Exportações da ITV começam o ano a cair

Os números para o primeiro mês de 2024 dão conta de uma descida de quase 15% das exportações de têxteis e vestuário. Para os quatro dos principais mercados do “made in Portugal” – Espanha, França, EUA e Suécia – a queda é mais acentuada.

No total, as empresas exportadoras enviaram, a partir de Portugal, 450,66 milhões de euros de têxteis e vestuário em janeiro, o que representa uma queda de 14,7% em comparação com o mesmo mês do ano passado, em que tinham exportado 516,83 milhões de euros.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística publicados hoje mostram, de resto, que, com exceção de janeiro de 2021, em plena pandemia, é preciso recuar até 2019 para encontrar um valor de exportação de têxteis e vestuário em janeiro mais baixo.

Entre os 10 principais mercados dos têxteis e vestuário lusos, o único que comprou mais foi o Canadá, com uma subida de 19,4% face ao mesmo mês de 2023, o que representa mais 1,62 milhões de euros do que os 6,72 milhões de euros registados em janeiro do ano passado.

Já em sentido inverso, Espanha comprou menos 17,2% do que no primeiro mês de 2023, equivalente a menos 15,73 milhões de euros, ficando-se por 91,12 milhões de euros, enquanto França reduziu em 19,2% as suas compras, o que significa menos 15,85 milhões de euros, para 82,45 milhões de euros.

A queda é igualmente acentuada no mercado americano, para onde as empresas portuguesas venderam menos 15,7% do que em janeiro de 2023 – uma perda de 4,95 milhões de euros, para 31,59 milhões de euros.

Para a Suécia, que ocupa o nono lugar nas exportações nacionais de têxteis e vestuário, os envios registaram uma descida de 43,6%, equivalente a menos 3,8 milhões de euros, para 8,72 milhões de euros.

Alemanha (-5,5%, equivalente a menos 2,5 milhões de euros), Itália (-6,5%, ou menos 1,98 milhões de euros), Reino Unido (-7,5%, ou menos 2,15 milhões de euros), Países Baixos (-10,2%, equivalente a menos 2,43 milhões de euros) e Bélgica (-9,5%, ou menos 1,25 milhões de euros) também contribuíram para a queda total superior a 66 milhões de euros das exportações.

Vestuário perde mais

Por categoria de produto, a mais penalizada, em termos absolutos, foi o vestuário e seus acessórios de malha, com uma redução de 18,3% das exportações, o que representa menos 33,6 milhões de euros vendidos, para 177,48 milhões de euros, seguida da categoria vestuário e seus acessórios, exceto malha (menos 13%, equivalente a uma perda de 10,88 milhões de euros, para 83,67 milhões de euros).

Foram igualmente registadas quebras consideráveis nas exportações de tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados (-22,1%, o que representou menos 5,76 milhões de euros), outros artefactos têxteis confecionados, onde se inclui a maioria dos têxteis-lar (-7% ou menos 4,08 milhões de euros) e fibras sintéticas ou artificiais descontínuas (-17,7% ou menos 3,6 milhões de euros).

Apesar da maioria das categorias de produto estarem com números negativos, há artigos cujas exportações cresceram em janeiro deste ano face ao período homólogo de 2023, nomeadamente a lã (+10%, para 5,01 milhões de euros), outras fibras têxteis vegetais (+18,6%, para 2,94 milhões de euros), tapetes e outros revestimentos para pavimentos (+5,4%, para 6,01 milhões de euros) e tecidos especiais (+1,4%, para 5,88 milhões de euros).