Expectativas pouco otimistas

Em linha com as estatísticas do sector, empresas como a Sampedro e a Têxteis Penedo têm sentido a quebra no negócio nos últimos meses, mantendo-se pouco otimistas de uma retoma no curto prazo.

Simão Gomes

O dia a dia das empresas de têxteis-lar tem sido pautado por uma redução da procura e muitas incertezas, transversais aos vários mercados de exportação.

No caso da Sampedro, «há uma redução das vendas com algum significado em relação ao ano de 2022», revela Simão Gomes, administrador da empresa centenária, ao Jornal Têxtil. E esta diminuição na procura não se limita a um único mercado, indica. «Os clientes da Europa e dos EUA estão a comprar muito abaixo do normal», refere, acrescentando que «alguns clientes estão a ficar sem seguro de crédito e outros a falir» devido «ao efeito conjugado da guerra, inflação e aumento das taxas de juro», entre outras razões, aponta Simão Gomes.

A empresa, que reduziu os preços em cerca de 17,5% face ao ano passado, em resultado da diminuição dos custos com matérias-primas, como o algodão, e com a energia, nomeadamente o gás, está atenta à conjuntura e, face ao estado atual do mercado, tem refreado alguns investimentos. «Com a crise nas vendas tivemos que rever as nossas perspetivas de investimento ao abrigo do Portugal 2030, não fazer para já a candidatura e acabar uma candidatura ao PRR já feita, com 60% de realização e investimento feito com capitais próprios», revela o administrador da Sampedro, que tem procurado contrariar o arrefecimento do mercado com um aumento de «viagens comerciais» de forma a reduzir «ao máximo» a quebra das vendas.

Face ao cenário atual, Simão Gomes acredita que «antes de melhorar, o ambiente económico ainda vai piorar por uns tempos», pelo que as expectativas para 2024, tendo em conta «as projeções internacionais, a continuação da guerra [na Ucrânia] mais a guerra em Israel» são «muito fracas».

Cenário semelhante na Têxteis Penedo

Na Têxteis Penedo, a análise não é muito diferente. «Este ano os negócios estão em forte retração e vamos ter uma redução dos negócios e /ou das exportações relativamente ao ano passado», assume Agostinho Afonso, administrador da empresa.

Agostinho Afonso

«O conjunto de fatores – guerra, inflação – que geram instabilidade económica afetam o interesse dos consumidores em bens que possam não ser de primeira necessidade, afetando o nosso negócio», justifica.

Essa redução da procura «pode condicionar o crescimento da empresa», afirma o administrador, sendo esse o principal desafio da Têxteis Penedo neste momento. «Temos mantido um controlo apertado nos custos, tentando evitar, até hoje, medidas mais drásticas que possam afetar o salário dos nossos trabalhadores», indica Agostinho Afonso ao Jornal Têxtil.

Para o resto do ano, o administrador confessa ter «alguma esperança que possa haver pequenas melhorias, mas sem grandes otimismos». Uma perspetiva cautelosa que se mantém para o próximo ano. «Temos esperança que possa ser ligeiramente melhor que este ano, mas pelos sinais de economia mundial e instabilidade gerada pelas guerras, o mais provável é que seja mais um ano difícil», conclui Agostinho Afonso.