Europa não recebe bem empresas espanholas

A entrada no mercado europeu não tem sido nada fácil para as empresas espanholas, como o confirmam a Telefónica, Repsol, Iberdrola ou a Dragados, que já fazem tentativas de internacionalização europeia há vários anos sem resultados. A decisão das grandes empresas espanholas de entrar na Europa deveu-se especialmente à tentativa de aproveitamento dos benefícios do mercado único. Apesar do sucesso de algumas empresas espanholas em Portugal, a situação no resto da Europa é completamente distinta. A Telefónica era uma das empresas com maiores ambições europeias. Os analistas da empresa consideravam que esta se poderia tornar numa das quatro maiores da Europa. A agressividade do então presidente Juan Villalonga levou-o a negociar fusões com a British Telecom e a holandesa KPN. Villalonga decidiu ainda realizar acordos para entrar no mercado de telefones fixos italiano e decidiu participar nos concursos de UMTS (terceira geração de telemóveis), tendo também comprado a Endemol. No entanto, e dois anos depois da sua saída, estes projectos foram abandonados. O caso da Telefónica não é, apesar de tudo, o único. Também a Repsol há alguns anos atrás adquiriu várias redes de postos de abastecimento de combustíveis em França e na Inglaterra. Mais tarde vendeu-os ao aperceber-se da falta de perspectivas de rentabilidade. O sucesso dos espanhóis na Europa também não se concretizou no sector da electricidade. Tudo o que a Endesa conseguiu foram duas pequenas posições em França e em Itália. No que diz respeito à banca, as tentativas do BBVA de comprar o italiano Unicredito foram bloqueadas pelo anterior Governo italiano. E na construção, apesar da grande dimensão dos grupos construtores espanhóis, nenhuma compra foi concretizada. Nos restantes países da Europa e ao contrário do que acontece em Portugal, estas empresas não têm um peso significativo. Também na distribuição, onde os franceses controlam mais de 50% do mercado espanhol, não houve até agora grandes projectos de expansão para a Europa. A excepção a esta regra tem sido o caso da Mango e da Zara, que se encontram a par de empresas como a H&M, Benetton ou Gap.