Europa estabiliza vendas

Os negócios na Europa devem voltar ao normal nos próximos 12 a 18 meses, apesar das disrupções no sourcing e do covid-19, dando ao sector de vestuário e de retalho no Velho Continente uma expectativa “estável” para o corrente ano. Retalhistas de moda como casa francesa Isabel Marant deverão crescer a dois dígitos em 2022.

[©Isabel Marant]

Graças ao programa de vacinação e às poupanças acumuladas, o consumo não deverá abrandar na Europa, com os analistas de crédito do Moody’s Investors Service, citados pelo Sourcing Journal, a afirmarem que, embora coloquem algum risco, as interrupções da cadeia produtiva deverão ser geríveis para a maior parte dos retalhistas. Mas com os atrasos mundiais nos envios a travar o fluxo de bens, assim como a aumentar o preço das matérias-primas e dos transportes, os retalhistas de vestuário e artigos para a casa são os que deverão sentir mais nas suas margens.

Mais significativo, os analistas começam a ver sinais de um abrandamento nas vendas a retalho, após a retoma acentuada na primavera e no verão do ano passado. O mês de abril parece ter sido o pico de vendas, com a Zona Euro a subir 25% em comparação com o ano anterior, embora a subida das vendas tenha, entretanto, sido mais moderada nos restantes meses, com apenas mais 5% em setembro. «Esse abrandamento não é visto como mau, mas mais como um regresso à atividade de vendas normal», explica o artigo do Soucing Journal.

Espanha e França registaram um aumento de 43% das vendas em abril de 2021 face ao mesmo mês do ano anterior, mas em setembro esse aumento foi de 6% e 7%, respetivamente. Itália sentiu uma subida de 39% em abril e o Reino Unido de 38%. Em setembro, o aumento das vendas nestes países foi de 7% e 1%, respetivamente. Já os Países Baixos registaram um crescimento das vendas de 11% em abril e de 5% em setembro e a Alemanha de 9% em abril e de 1% em setembro.

Luxo e casualwear em alta

Os retalhistas de vestuário deverão ter registado um aumento de 18,3% das vendas no completo de 2021, com as projeções a apontarem para mais 11,5% em 2022. Em termos de lucro, a Moody’s antecipa que os retalhistas online e os players de luxo e sportswear tenham uma melhor performance que os dedicados a outras categorias.

[©Burberry]
Os analistas do Moody’s projetam um crescimento entre 0% e 5% do Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado em 2022 em comparação com 2021 para a Birkenstock, Next, Matalan e Burberry. Já a alemã CBR Fashion deverá ter um crescimento do Ebitda ajustado entre 5% e 10%, enquanto a italiana Golden Goose, a alemã Adidas, a espanhola Tendam (que detém a Cortefiel e Pedro del Hierro, entre outras) e a alemã Schustermann deverão ter um aumento no Ebitda ajustado entre 10% e 20%. Um crescimento acima de 20% está projetado para a alemã Takko e para a casa de moda francesa Isabel Marant.

Apesar de terem visto as suas margens afetadas, os analistas da Moody’s defendem que os retalhistas focados no luxo, no segmento discount ou no vestuário casual vão, no geral, ter melhores performances que os restantes. Mas mesmo que estas categorias tenham bons resultados, os lucros e margens ainda deverão ficar abaixo dos níveis pré-pandemia.

Os analistas também acreditam que os retalhistas vão continuar a sua transformação digital, uma vez que estão a reduzir a rede de lojas, à medida que aceleram os investimentos em inteligência artificial e análise de dados dos consumidores para melhorar a performance das respetivas plataformas online.

No entanto, as previsões podem tornar-se negativas se a Zona Euro entrar em recessão ou as vendas anuais das empresas se deteriorarem. O potencial para novas restrições de compras, sustentadas por interrupções na cadeia de aprovisionamento ou pressões inflacionárias prolongadas, é o principal risco para as vendas.

[©Tendam]
Quanto ao que pode melhorar as perspetivas, o crescimento económico acelerado é um fator central, juntamente com a redução das interrupções da cadeia de aprovisionamento e o abrandamento da inflação.

Em termos gerais, é esperada uma solidificação da recuperação económica mundial, à medida que os efeitos da pandemia se esbatem e os negócios e os consumidores se adaptam. Contudo, as perspetivas vão divergir consoante as regiões e os sectores. Para o sector do vestuário e do retalho na Europa, a quantidade de empresas com classificações de rating estável aumentou de 54% em dezembro de 2020 para 82% em dezembro de 2021. O número de empresas com ratings de crédito positivos subiu de 4% para 6% no mesmo período.