Europa agita Guess

A desvalorização do euro poderá continuar a dificultar o lucro da Guess Inc no curto prazo, mas a atractiva avaliação da empresa norte-americana e os fortes dados económicos podem traduzir-se numa oportunidade de compra para os investidores. O sólido crescimento das vendas em todo o mundo vai ajudar o retalhista, mesmo à medida que a sua dependência da Europa, onde a crise da dívida tem arrastado o euro, deixa os investidores um pouco angustiados. O mercado europeu foi responsável por 48% do total das receitas no ano fiscal encerrado a 30 de Janeiro. A Guess, pela qual modelos como Claudia Schiffer e Adriana Lima têm dado a cara, registou um salto de 28% nas receitas provenientes da Europa durante o último trimestre. A empresa planeia adicionar vários membros à sua equipa de gestão na região. No entanto, os recentes problemas europeus levantam dúvidas sobre o potencial de crescimento da Guess neste continente. «A preocupação não é só com os efeitos do câmbio, mas com o que a situação na Europa pode provocar no negócio», afirma Margaret Whitfield, analista na firma Sterne, Agee & Leach. «Mas, pelo menos, parece que eles não detectaram sinais de dificuldades no que diz respeito ao negócio europeu até agora», acrescenta Whitfield. No final de Maio, as acções da Guess recuperaram algumas das suas perdas do dia anterior e espelharam a evolução do euro, que ganhou por momentos em relação ao dólar. As acções da empresa norte-americana caíram mais de 9% no final de Maio, depois da apresentar uma fraca previsão para 2011 e referir que o euro já tinha enfraquecido significativamente abaixo dos seus pressupostos de planeamento. Pelo menos quatro analistas mantiveram a sua melhor classificação para as acções da Guess e disseram que a cotação não leva em conta as perspectivas de crescimento para a empresa, tornando-a uma compra definitiva. «Acreditamos que a actual avaliação desconta todos os aspectos positivos da expansão internacional em termos de margem material e crescimento potencial de primeira linha… acreditamos que a Guess continua a ser um veículo de crescimento superior e permanecemos compradores», revela Eric Beder, analista da firma Brean Murray Carret & Co. A tendência descendente do euro tem ganho força recentemente, aumentando o risco de que a moeda única atinja a paridade com o dólar no próximo ano. «Se o euro atingir a paridade, haverá um prejuízo adicional nos resultados de 18 centavos por acção. No entanto, para que isso realmente ocorra, o euro teria de diminuir de forma drástica e imediata, um cenário improvável, na nossa opinião», refere o analista Todd Slater da Lazard Capital Markets. A Guess, que detém as marcas epónimas Guess by Marciano e G by GUESS, concorre directamente com nomes como Levi Strauss & Co, VF Corp e True Religion. «Acho que está atractivamente valorizada em relação ao sector, tendo em conta o potencial de crescimento em metros quadrados e a popularidade da marca, entre outras razões», conclui o analista Brian Sozzi da Wall Street Strategies.